Estação Ambiental combate drenagem ácida do carvão

Fonte: Assessoria do CETEM - 15/10/07

O Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) inaugura nesta quarta-feira (17), em Santa Catarina, a Estação Experimental Juliano Peres Barbosa, a primeira no País com células experimentais, sensores, laboratório e equipamento meteorológico. O objetivo é monitorar e minimizar os efeitos no meio ambiente da drenagem ácida provocada pelos rejeitos do carvão mineral. A Estação tem área de 1.700 m² na Mina do Verdinho, propriedade da Carbonífera Criciúma S.A.

A Estação foi viabilizada pela parceria entre o Cetem, a Carbonífera Criciúma e Finep, que investiram R$1,200 milhão no projeto para criar uma alternativa viável ao problema crônico da drenagem ácida na região.

A região Carbonífera Sul Catarinense explora o carvão há 123 anos. Calcula-se que nesse período os rejeitos da mineração ocupem depósitos a céu aberto numa área estimada de 27 Km².

A oxidação da pirita (encontrada no rejeito do carvão) quando exposta ao oxigênio atmosférico em presença da água provoca a drenagem ácida e a conseqüente poluição dos rios. Os efeitos da drenagem ácida afetam a qualidade da água de uma população de 659.130 pessoas, em 24 municípios do Sul de Santa Catarina.

Como funciona a Estação

Na Estação são utilizadas células experimentais (quatro cavidades com volume aproximado de 110 m² cada uma), construídas em um aterro e preenchidas com rejeito de carvão. Em cada célula os rejeitos são cobertos com materiais, como argila, cinzas de fundo de termelétrica e solo orgânico. O desempenho dos sistemas de cobertura é medido por meio de 45 sensores eletrônicos instalados no interior de cada material de cobertura e do rejeito.

A cada hora os dados colhidos pelos sensores são armazenados em uma unidade central e transferidos ao laboratório para análise. A água da chuva que cai sobre as células é coletada por um sistema de calhas superficiais e por tubulações instaladas abaixo da superfície e medida em reservatório específicos para determinação do balanço hídrico. A geoquímica do processo é acompanhada pelas análises químicas e físico-químicas da água coletada.

No laboratório são também feitas análises físico-químicas das águas coletadas em cada célula e interpretados os dados recebido da estação meteorológica. Os dados meteorológicos permitem avaliar a influência das condições climáticas sobre o desempenho dos diferentes sistemas de cobertura.

Os resultados obtidos a partir da Estação permitirão formular recomendações quanto a melhor maneira de cobrir os rejeitos a fim de que gerem menos drenagem ácida e servirão de referência ambiental para outras mineradoras em toda a região carbonífera.



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