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A blockchain pode impulsionar a indústria brasileira?

O Brasil vem modernizando sua indústria por meio de tecnologias digitais e sistemas de pagamento mais eficientes. Nesse contexto, a blockchain passou a ganhar mais espaço nas discussões. Embora a tecnologia ainda seja frequentemente associada às criptomoedas, empresas e instituições públicas já avaliam como ela pode aprimorar processos industriais, cadeias de suprimentos e transações internacionais.

Uma parceria recente e de grande relevância, voltada à capacitação profissional e à pesquisa industrial, somada a novos investimentos em infraestrutura de pagamentos, mostra que o debate está cada vez mais voltado para aplicações concretas nos negócios, e não apenas para possibilidades teóricas.

A blockchain pode melhorar a rastreabilidade industrial

Uma das aplicações mais consolidadas da blockchain no ambiente corporativo é a rastreabilidade de produtos. Fabricantes precisam registrar a origem das matérias-primas, acompanhar o percurso dos produtos ao longo da produção e documentar quando as mercadorias chegam aos clientes. Graças aos seus registros seguros e confiáveis, a blockchain pode ajudar as empresas a cumprir padrões de qualidade e atender às exigências regulatórias.

A tecnologia cria um registro compartilhado que pode ser acessado e validado por participantes autorizados, reduzindo o risco de informações divergentes entre diferentes organizações e aumentando a transparência em toda a cadeia de suprimentos.


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A Cardano Foundation firmou uma parceria plurianual com o SENAI São Paulo, uma das maiores redes de educação industrial e inovação do país. A iniciativa inclui projetos de rastreabilidade industrial e Passaportes Digitais de Produto (Digital Product Passports), desenvolvidos para documentar produtos durante todo o seu ciclo de vida.

Mais de 100 profissionais das áreas de pesquisa e educação receberam treinamento técnico sobre arquitetura blockchain, padrões de metadados, contratos inteligentes e aplicações industriais. O programa prioriza casos de uso práticos voltados ao setor manufatureiro.

Educação industrial

Novas tecnologias só geram resultados quando as empresas contam com profissionais preparados para implementá-las. A parceria entre a Cardano Foundation e o SENAI São Paulo inclui certificações, programas de educação executiva, workshops técnicos e projetos de prova de conceito ao longo de dois anos. O objetivo é capacitar pesquisadores, educadores e engenheiros para avaliar o potencial da blockchain em operações industriais.

Guilherme Pereira da Silva, Ecosystem Growth Specialist para a América Latina na Cardano Foundation, destacou a importância de desenvolver conhecimento em todo o ecossistema educacional e industrial. Segundo ele, quando um professor domina a tecnologia Cardano, forma um pesquisador capaz de aplicá-la, que por sua vez prepara engenheiros para implementá-la em projetos industriais de pesquisa e desenvolvimento.

Essa visão reflete uma abordagem prática da adoção tecnológica: normalmente, a inovação industrial depende tanto de profissionais qualificados quanto de ambientes adequados para testes.

Pagamentos internacionais continuam sendo uma oportunidade importante

Fabricantes brasileiros frequentemente negociam com fornecedores e clientes em mercados internacionais. Pagamentos internacionais costumam envolver diversos intermediários financeiros, prazos maiores para liquidação e custos superiores aos das transferências domésticas. É justamente nesse cenário que a infraestrutura de pagamentos baseada em blockchain pode oferecer vantagens.

A Blockchain.com anunciou recentemente planos para expandir suas operações institucionais no Brasil por meio do desenvolvimento de uma infraestrutura de pagamentos internacionais voltada para empresas e instituições financeiras. O foco da companhia está na liquidez institucional, e não em serviços de criptomoedas destinados ao varejo.

O anúncio reforça o interesse crescente pela blockchain como infraestrutura financeira, em vez de apenas um ativo de investimento. Liquidações mais rápidas podem otimizar a gestão financeira de empresas que movimentam recursos entre diferentes países, embora a empresa ainda não tenha divulgado detalhes operacionais importantes, como parceiros bancários ou a arquitetura de liquidação.

O Brasil oferece um ambiente favorável para esse tipo de serviço graças ao seu ecossistema de pagamentos digitais e ao elevado nível de adoção de criptomoedas. Segundo o Crypto News, a experiência com o Pix mostrou como empresas e consumidores podem adotar rapidamente sistemas de pagamento mais ágeis quando compreendem seus benefícios.

Regulamentação

O Banco Central é responsável pela supervisão de ativos virtuais. Isso proporciona expectativas mais claras para empresas que desenvolvem produtos financeiros baseados em blockchain.

Para o setor industrial, um ambiente regulatório mais definido reduz parte das incertezas associadas à adoção de novas tecnologias. Empresas que avaliam soluções em blockchain para pagamentos, documentação ou gestão da cadeia de suprimentos normalmente preferem atuar dentro de estruturas legais já estabelecidas.

Ainda assim, cada organização precisa analisar se a blockchain realmente oferece vantagens em relação aos bancos de dados convencionais para cada caso de uso específico. Nem todo desafio operacional exige uma tecnologia de registro distribuído.

Blockchain vai muito além das criptomoedas

Fabricantes podem utilizar a blockchain para documentar processos produtivos, verificar a autenticidade de produtos, registrar históricos de manutenção e aprimorar a colaboração entre fornecedores. Essas aplicações são voltadas ao compartilhamento seguro de dados, e não à especulação financeira. A parceria entre a Cardano Foundation e o SENAI São Paulo, por exemplo, concentra-se na infraestrutura industrial, e não no mercado de criptomoedas.

Para empresas que desejam explorar ativos digitais, as opções de pagamento também continuam evoluindo. Quem está começando nesse universo pode se perguntar como pagar com Bitcoin: com determinados aplicativos e cartões de criptomoedas, é possível usar Bitcoin em qualquer estabelecimento que aceite Visa, seja em compras online, presenciais ou no exterior.

Mesmo assim, a adoção da blockchain na indústria deve ser avaliada principalmente pelos resultados operacionais — como eficiência, transparência, conformidade regulatória e redução de custos — e não apenas pelo uso de criptomoedas.

O que ainda precisa acontecer antes de uma adoção mais ampla

O Brasil parece estar construindo as bases necessárias para que a tecnologia blockchain avance no setor industrial. Apesar desse movimento, ela ainda está longe de ser uma solução universal para a indústria brasileira. Muitos projetos continuam em fase piloto ou nos primeiros estágios de implementação. As organizações ainda precisam verificar se a blockchain se integra adequadamente aos sistemas corporativos existentes, atende aos requisitos de cibersegurança e gera retorno mensurável sobre o investimento.

Também permanecem dúvidas sobre o desenho técnico de algumas iniciativas recentes. A Blockchain.com, por exemplo, ainda não informou se sua infraestrutura institucional de pagamentos no Brasil utilizará redes públicas de blockchain ou sistemas permissionados. Essa decisão poderá influenciar fatores como interoperabilidade, conformidade regulatória e escalabilidade.

A adoção em larga escala também depende da cooperação entre fabricantes, empresas de tecnologia, instituições de ensino e órgãos reguladores. Embora uma empresa possa implementar sistemas internos baseados em blockchain, muitos dos benefícios da tecnologia aumentam quando diferentes participantes compartilham dados confiáveis em uma mesma rede.


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