Indústria: 66% não demitiram

Estudo encomendado pela CNI ouviu 1.017 executivos em todas as regiões do Brasil.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que 66% das indústrias não demitiram funcionários em decorrência dos efeitos da crise, embora 74% delas tenham sido impactadas pela pandemia de Covid-19.

De acordo com o site Poder 360, o estudo foi realizado pelo FSB Pesquisas entre 15 e 25 de maio.  Foram entrevistados, por telefone, 1.017 executivos do setor industrial em todas as regiões do Brasil. 

O nível de confiança da pesquisa é de 95% e a margem de erro é de 3 pontos percentuais.

Entre os executivos que conseguiram não demitir empregados, 75% disseram que pretendem manter seus quadros de funcionários intactos.

Já entre aqueles que demitiram, 78% afirmam que a redução no quadro de funcionários deve ser temporária. A maior parte do grupo, 42%, pretende efetuar novas contratações em até seis meses.

Quando a fechar mais postos de trabalho, 48% delas pretendem efetuar novas demissões, e 48% querem manter o atual quadro de empregados. Os outros 4% não sabem ou não responderam.


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O estudo também indicou que 39% das empresas foram impactadas por reduções na jornada de trabalho e 22% pela suspensão temporária de contratos. Neste último caso, a média de suspensão de contratos é de 3 meses.

Já 11% dos funcionários do setor estão trabalhando em home office.

A pesquisa indica que 82% dos entrevistados tiveram redução do faturamento nos últimos 45 dias. Além disso, 3 em cada 4 empresas diminuíram ou paralisaram a produção.

O estudo também apresenta as condições das empresas que mantiveram os negócios funcionando: 22% só conseguem se manter por mais 1 mês. Para 45% dos empresários, é possível manter as operações por até 3 meses.

Na opinião de 86% dos participantes, a receita do setor industrial deve cair em 2020. Ao analisar as próprias empresas, 64% disseram projetar redução da receita. O recuo estimado é, em média, de 37%.

Mais de a metade dos executivos, um índice de 56%, recorreu a políticas de auxílio do governo federal, percentual semelhante ao dos que renegociaram com fornecedores, 53%.

Para 70%, as políticas do governo são adequadas para minimizar os efeitos da crise. Mas apenas 39% disseram considerar as medidas eficazes.

Ainda de acordo com a publlicação a CNI afirmou que uma série de lideranças empresariais têm relatado dificuldades para acessar as linhas de créditos anunciadas pelo governo federal. Apesar disso, 58% dos executivos classificam como fácil ou muito fácil o acesso ao programa.

Para 77% dos empresários, a situação da Covid-19 no país é grave ou muito grave. Apesar disso, 42% se disseram contrários às medidas de isolamento social adotadas nos estados e municípios, três pontos percentuais a menos do que a parcela favorável à medida.

Quase a totalidade, 96%, dos entrevistados disse considerar importante ou muito importante adotar medidas de proteção, que são avaliadas como eficientes por 76% dos executivos.

No cenário pós-pandemia, 44% dos executivos acreditam que a economia do país vai crescer nos próximos dois anos e 63% planejam voltar a uma rotina igual ou muito parecida àquela anterior às medidas restritivas.

Quanto ao quadro de funcionários, 58% pretendem manter o mesmo número de empregados, enquanto 24% esperam reduzir postos de trabalho ao término do isolamento social. Os outros 17% têm expectativa de criar novas vagas.

Além disso, 59% esperam retomar a produção no mesmo nível anterior à pandemia e 23% pretendem elevar a produção, contra 18% que afirmam que a retomada deve ser em ritmo menor.

Para 76% dos entrevistados, medidas adotadas durante a pandemia devem ser mantidas por tempo indeterminado após o término do isolamento social.

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