Em um mês de pandemia, setor de máquinas e equipamentos demitiu cerca de 11 mil pessoas, diz Abimaq

Número de demissões corresponde a 3% do nível de emprego na indústria geral. Entidade estima que nos próximos meses o segmento poderá fechar 50 mil empregos diretos e outros 150 mil indiretos.

A crise provocada pela pandemia do novo coronavírus provocou, somente em março, a demissão de cerca de 11 mil trabalhadores da indústria de máquinas e equipamentos. É o que aponta uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

De acordo com a entidade, o número de demissões corresponde a uma redução de 3% do nível de emprego em toda a indústria do país. Dentre as empresas pesquisadas, 21,4% informaram que demitiram aproximadamente 16,4% da mão de obra.

O número de demissões só não foi maior em março porque, segundo a pesquisa, 78,6% das empresas optou por, inicialmente, conceder férias aos funcionários, utilizar o banco de horas ou reduzir a jornada de trabalho. O levantamento foi realizado entre os dias 30 de março e 3 de abril.

“A pandemia do novo coronavírus afetou a atividade produtiva em diversas frentes: adiando ou cancelando investimentos, interrompendo parte da cadeia de suprimento e restringindo transporte de mercadorias e a mobilidade da mão de obra”, apontou o presidente executivo da Abimaq José Velloso.


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Velloso enfatizou que “praticamente todas as empresas” que participaram da pesquisa pretende promover novas demissões nos próximos meses. A estimativa da Abimaq é que sejam fechados mais cerca de 50 mil postos de trabalho direto e outros 150 mil indiretos, o que equivale a 15% da indústria. Atualmente, segundo a entidade, o setor emprega 350 mil diretos e quase um milhão de indiretos.

A Abimaq disse manter negociações com cerca de 80 sindicatos de trabalhadores de todo o país para ajudar na redução de jornada e salários ou suspensão temporária de contratos, medidas estabelecidas pelo governo federal na tentativa de preservar os empregos no país durante a pandemia.

“E esse processo tem que ser muito ágil, uma vez que os cortes podem ocorrer antes dos acordos serem fechados, caso esses demorem a ser concluídos”, enfatizou Velloso.

Faturamento pela metade e restrição de crédito

A pesquisa da Abimaq mostrou, também, que as empresas preveem que o faturamento seja reduzido em mais de 50% nos próximos dois meses. A entidade destacou que mais de 70% das empresas ouvidas é voltado à exportação. Destas, 54,2% registraram queda de 56,2% das exportações.

Diante do cenário, até o dia 3 abril 32,4% das empresas pesquisadas já havia procurado os bancos em busca de acessar capital de giro. No entanto, apenas 11,4% conseguiram o crédito.

Segundo a Abimaq, a taxa de juros média encontrada pelas empresas foi de 14,3%, o que a entidade considera “extremamente elevada diante do atual quadro”.

“O setor financeiro também precisa mudar sua postura em relação ao seu cliente na concessão de crédito, considerando, além das garantias convencionais -recebíveis, patrimoniais - o potencial do negócio do tomador”, sugeriu o presidente da entidade.

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