Combate ao coronavírus: PSA vai usar impressora 3D para fazer protetores faciais; GM quer consertar respiradores

Além delas, Volkswagen vai doar máscaras e emprestar veículos para prefeituras de 4 cidades e Moura vai fazer 100 mil máscaras.

As montadoras de veículos encontraram outras formas de utilizar sua força de trabalho e estrutura durante a paralisação de suas fábricas em decorrência da pandemia do coronavírus.

A PSA, dona das marcas Peugeot e Citroën, vai deixar de produzir modelos como 2008 e C4 Cactus e adaptar algumas instalações da fábrica de Porto Real (RJ) para a confecção de protetores faciais, que serão doados para autoridades de saúde dos municípios da região.

A General Motors, dona da Chevrolet, líder de vendas no Brasil, anunciou que, até o final de abril, quer consertar respiradores que atualmente estão fora de uso. Segundo a GM, já foram mapeados 3 mil aparelhos nessa situação em todo o país. Mas o número pode chegar a 5 mil.

PSA vai produzir protetores faciais

O protetor facial é considerado um equipamento de proteção individual, ou EPI, e é usado por profissionais que trabalham em hospitais no combate ao coronavírus.

A ideia surgiu do gerente geral da fábrica da PSA, Charles Costa. Ele assistiu à reportagem exibida pelo Jornal Nacional da última segunda-feira (23), que mostrou um projeto de uma universidade do Rio de Janeiro que usa impressoras 3D para produzir os protetores.


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Ele, então, lembrou-se que a unidade de Porto Real tinha um equipamento do tipo, que ficaria ocioso, já que a fábrica será paralisada em decorrência da pandemia.

"Depois de ver a reportagem, pesquisei no celular e encontrei o projeto. Consegui baixar o desenho, e, no dia seguinte, passei para um colaborador que cuida da impressora da fábrica. Conseguimos imprimir um protetor de teste", conta.

Com o sucesso na primeita tentativa, Costa procurou o diretor da fábrica, que apoiou o projeto.

Normalmente, a impressora da fábrica é usada na confecção peças experimentais para veículos que ainda não foram lançados.

No caso dos protetores faciais, observou-se que a impressora era capaz de produzir duas das quatro peças necessárias.

O terceiro componente, assim como o corte das peças, seriam feitos na cidade vizinha de Resende, pela Fablab, uma oficina escola para estudantes técnicos, fruto da parceria do Senai com a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro.

A quarta e última peça, um elástico, será comprada de um fornecedor externo pela PSA. A fabricante também ficará responsável pela montagem da peça.

Quatro funcionários ficarão responsáveis pela produção dos protetores. Eles serão entregues higienizados e já embalados de forma correta.

"Até o final da semana, queremos entregar o primeiro lote", disse o gerente. Ainda não há uma definição de quantos protetores serão feitos.

GM vai consertar respiradores

A Chevrolet vai adaptar parte de duas instalações para consertar respiradores, aparelhos importantes nos casos mais graves de pacientes com a Covid-19.

A iniciativa foi tomada em conjunto com o Ministério da Economia, o Senai e a Associação Brasileira de Engenharia Clínica, e também deve envolver outras fabricantes, que ainda não tiveram os nomes informados.

"Disponibilizamos todas as nossas fábricas, incluindo o campo de provas de Indaiatuba (SP)", disse o gerente de inovação da GM, Carlos Sakuramoto.

A operação começa com o Ministério da Saúde, que pede aos hospitais para incluirem em um banco de dados a quantidade de aparelhos parados, bem como marca, modelo, defeito e ano de fabricação.

A partir daí, é possível saber exatamente quantos são, e onde estão os respiradores quebrados. Quando o levantamento for concluído, nos próximos dias, os equipamentos serão levados aos locais de reparo.

Para ajudar na logística, transportadoras devem ser incluídas no projeto, assim como outras fabricantes dispostas a auxiliar no reparo dos aparelhos.

Nas instalações da GM, os funcionários voluntários já estão recebendo treinamento específico. São engenheiros e técnicos, especializados em elétrica e eletrônica.

"Terminando o mapeamento, teremos uma visão melhor. O objetivo é ter pelo menos uma equipe em cada localidade. Mas, talvez tenhamos que recorrer a mais voluntários. Temos recebido várias ligações de funcionários dispostos a ajudar", diz Sakuramoto.

Volks fará doações

A Volkswagen, vice-líder de vendas no Brasil também anunciou medidas para auxiliar no combate ao coronavírus. Por enquanto, as ações são de empréstimo de veículos e doação de máscaras.

Nesta quarta-feira (25), a montadora disse que vai doar 2 mil máscaras do tipo PFF-2 para as prefeituras de São Bernardo do Campo, Taubaté, São Carlos (SP) e São José dos Pinhais (PR), cidades onde a Volks tem fábricas.

De acordo com a empresa, elas são “parte do estoque da companhia e eram de utilização na linha de produção”.

A Volks também vai emprestar 100 veículos para as cidades, e também para o governo do estado de São Paulo.

O objetivo é que os automóveis sejam usados para “deslocamento de médicos e enfermeiras, bem como transporte de medicamentos e equipamentos de saúde”, disse a empresa, em nota.

Moura vai produzir e doar máscaras

O Grupo Moura, que atua no segmento de baterias, vai produzir e doar 100 mil máscaras para a população no combate ao coronavírus.

A máscara, com duas camadas de tecido e um filtro de lã, segue o modelo usado na China, e foi desenvolvida pelas equipes de engenharia da Moura. Num primeiro momento, elas serão destinadas à população, funcionários do grupo e suas respectivas famílias e aos profissionais das revendas da marca em todo país.

A companhia destacou, ainda, que a iniciativa também vai ajudar a movimentar a cadeia produtiva do Agreste pernambucano, contribuindo para manutenção dos pequenos e médios negócios.

A Moura ainda afirmou que as máscaras de tecido desenvolvidas pela empresa não são indicadas para uso hospitalar e não serão destinadas aos profissionais de saúde.

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