Após janeiro fraco, Anfavea já vê boas vendas em fevereiro

Ritmo dos emplacamentos volta a subir, mas fabricantes esperam pelo impacto de um mês mais curto

Os primeiros dias de fevereiro mostram que os emplacamentos de veículos estão retomando o fôlego após um janeiro fraco em vendas. Com o licenciamento de 193,5 mil unidades, entre leves e pesados, a Anfavea confirma a queda de 3,2% contra o primeiro mês de 2019, e indica que fevereiro pode ter bons números, embora sempre traga um impacto negativo sobre o volume total de vendas, por ser mais curto e por ter menos dias úteis com o feriado de carnaval.

O presidente da entidade, Luiz Carlos Moraes, lembra que janeiro é sempre um mês mais fraco para as vendas, mas o desempenho do setor também foi impactado pela introdução do novo sistema de lacração para a nova placa Mercosul, que atrapalhou o andamento dos emplacamentos nas últimas semanas do mês. Segundo Moraes, o estado de São Paulo foi o mais afetado, contudo, o problema já foi superado.

Com isso, a média diária de vendas ficou abaixo das 9 mil unidades em cada um dos 22 dias úteis de janeiro. Em fevereiro, serão 17 dias úteis, considerando o feriado prolongado de carnaval.

“Esse número [de janeiro] deveria ter sido melhor e superar as 200 mil unidades. Mas agora já vemos nos primeiros dias de fevereiro um volume de venda diária entre 12 mil e 13 mil, mostrando crescimento”, indica o presidente da Anfavea.


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Vendas diretas X varejo

O presidente da Anfavea reforçou a posição da entidade sobre fatores que podem contribuir com o aumento das vendas no varejo neste ano, como a redução dos juros acompanhando a taxa Selic (agora em 4,25%), a redução do spread bancário e a maior oferta de crédito. Em consequência, isso diminuiria a participação das vendas diretas no setor.

Dados apresentados pela entidade mostram que nos últimos dez anos, a participação das vendas diretas passou de 23% em 2010 para o recorde de 45% no ano passado. A venda direta se caracteriza pela venda do veículo feita diretamente da montadora para o consumidor final, seja ele uma pessoa física ou jurídica. Nessa conta, são consideradas compras governamentais, frotistas, locadoras, taxistas, produtores rurais e pessoas com deficiência (PCDs), embora este último seja atendido pela rede de concessionárias, mas o faturamento é feito pela montadora.

Por outro lado, Moraes admite que outros fatores já contribuem para uma menor participação do varejo nas vendas totais, como as mudanças de comportamento do consumidor com a adesão de tecnologias de serviços de mobilidade, que já afetam a relação de propriedade versus o uso do carro.




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