Vendas globais de veículos entram em declínio

Desaceleração na China e Índia puxam volumes para o menor nível desde 2015

Quedas importantes na China e Índia, dois dos cinco maiores mercados do mundo, derrubaram as vendas globais de veículos leves para o menor nível desde 2015. De acordo com dados consolidados pela consultoria GlobalData, em 2019 foram vendidos 89,8 milhões de automóveis e utilitários, o que resultou em retração de 4,8% sobre 2018.

Os analistas da GlobalData sustentam que o setor entrou em declínio difícil de ser recuperado em 2020 por causa da China, de longe o maior mercado mundial, onde as compras de carros caíram pelo segundo ano consecutivo, com redução de 9,4% no ano passado, para 25,4 milhões de unidades – também o patamar mais baixo dos últimos quatro anos. A economia do país enfrenta ventos contrários soprados principalmente da guerra comercial com os Estados Unidos. O PIB chinês cresceu 6,1% em 2019, o menor porcentual registrado em 29 anos.

Para este ano, a consultoria aponta que os resultados de dezembro sugerem nova contração de 1,5 milhão de veículos no mercado chinês, para 23,9 milhões. Além da desaceleração econômica, as medidas adotadas pelo governo para reduzir emissões devem pressionar os volumes para baixo na China nos próximos anos, pois envolvem restrições de vendas de automóveis nas maiores cidades chinesas como Pequim e Xangai, bem como a legislação que obriga ao aumento compulsório da comercialização de modelos elétricos mais caros. Também contribui para a redução das compras individuais o enorme crescimento do compartilhamento de carros pelos chineses por meio de plataformas digitais como a Didi Chixing. Com isso, a GlobalData avalia que estão descartadas as projeções que apontavam para um mercado de até 40 milhões/ano.

A Índia também registrou retração expressiva em 2019, de 10,3%, para 3,53 milhões de veículos leves, mas a consultoria avalia que o setor deve voltar a crescer este ano, somando 3,74 milhões de unidades ao fim de 2020.


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Com esses resultados, os mercados tradicionais da Europa, os Estados Unidos e o Japão voltaram a sustentar o crescimento global da indústria, enquanto nações emergentes, que receberam as maiores apostas e os maiores investimentos, começaram a se retrair em uma época particularmente inoportuna para os fabricantes, que enfrentam queda de lucros e aumentos de custos trazidos por novas e mandatórias tecnologias de eletrificação e segurança. Nesse cenário, a GlobalData lembra que a China vinha sustentando os ganhos de boa parte das empresas do setor, o que torna o cenário mais preocupante.




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