Cluster Naval é lançado no Rio de Janeiro

“Cluster”, segundo o economista americano Michel Porter, que popularizou esse conceito na década de 1990, é uma concentração de empresas com características semelhantes, que coabitam no mesmo local e se tornam mais eficientes porque colaboram umas com as outras. O melhor exemplo é o Vale do Silício, na Califórnia (EUA), que se tornou o maior cluster tecnológico do mundo. Lá, universidades como Stanford e Berkeley, localizadas no epicentro do Vale, fornecem mentes talentosas para empreenderem e trabalharem em gigantes como Google, Facebook e Uber, mas onde há também empresas de microeletrônica, tecnologias da informação e biotecnologia.

O Rio de Janeiro, na visão dos players do setor marítimo, tem tudo para ser o Vale do Silício da Indústria Naval brasileira, ainda mais em um momento em que o Brasil - e o Rio - caminham para se tornar um dos maiores produtores de petróleo do mundo com o pré-sal. Por isso, será lançada na próxima quarta-feira, dia 13 de novembro, às 10h30, na Casa Firjan, em Botafogo (Zona Sul do Rio), a Associação do Cluster Tecnológico Naval do Rio de Janeiro, ou, simplesmente, Cluster Tecnológico Naval. Trata-se de uma iniciativa das empresas EMGEPRON (Empresa Gerencial de Projetos Navais), NUCLEP (Nuclebras Equipamentos Pesados SA), AMAZUL (Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A) e CONDOR Tecnologias Não Letais.


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Ambiente favorável 

Além de sediar em seu território algumas das melhores universidades do Brasil, incluindo IME, EGN e UFRJ, o estado tem ainda o Arsenal da Marinha, outras escolas militares, mão de obra qualificada e uma capacidade instalada de estaleiros sem igual no país.

Além disso, os Institutos de Inovação e Tecnologia do sistema FIRJAN/SESI/SENAI integram a maior rede privada de pesquisa do Brasil e poderá ser uma provedora de soluções em competitividade industrial. Eles oferecem tecnologia de ponta e capacidade técnica por meio de prestação de serviços em consultoria, pesquisa e desenvolvimento em diversas áreas, como Química Verde, Inspeção e Integridade Estrutural, Nanomateriais e Sistemas Virtuais com foco na Manufatura Avançada. Para completar, há ainda o Sebrae-RJ, que já atua na qualificação dos fornecedores na cadeia produtiva do setor de Defesa e fará parte da governança do cluster capacitando pequenas empresas para atuarem na Economia do Mar. 

No evento do dia 13 de novembro, que contará com a presença do presidente da FIRJAN, Eduardo Eugênio Gouveia Vieira e uma palestra do comandante da Marinha. Almirante Ilques Barbosa Jr., serão eleitos os Conselhos de Administração e Fiscal. O presidente executivo do Cluster será o almirante da reserva Walter Lucas da Silva; o empresário Carlos Erane Aguiar, que também preside o SIMDE (Sindicato das Indústrias de Material de Defesa), ocupará a presidência do Conselho de Administração e o almirante Edésio Teixeira Lima Junior, a vice-presidência.

Seminário

No dia 21, com o apoio da ABIMDE, SIMDE, ICN, Fórum de Desenvolvimento da ALERJ e Governo do Estado do Rio de Janeiro, o recém-lançado Cluster Naval promoverá sua primeira ação: das 9h às 17h15, na Escola de Guerra Naval, na Praia Vermelha, será realizado o 1º Seminário Internacional - A Economia do Mar como Política de Desenvolvimento.

O objetivo é ampliar e difundir o conhecimento acerca dos setores e atividades econômicas que tenham o mar como foco e as potencialidades para as cadeias produtivas relacionadas à construção e Reparação Naval Militar e mercante. Casos nacionais e internacionais de sucesso de clusters serão apresentados.

As inscrições são gratuitas, porém limitadas, e devem ser feitas pelo link
https://forms.gle/CSAc7MepECUD7ME39

Focos do Cluster Naval

O Cluster Tecnológico Naval tem como foco a promoção do mercado interno, capacitação e formação, inovação e tecnologia, valorização do mercado local e encadeamento produtivo entre pequenas, médias e grandes empresas. A ideia é mobilizar as sete cidades no entorno da Baía de Guanabara (Rio, Niterói, Magé, Duque de Caxias, São Gonçalo, Guapimirim e Itaboraí), com o Estado do Rio e a União, para criar mecanismos e possibilitar ações em prol do desenvolvimento da indústria marítima como um todo.

Na visão de seus fundadores, o cluster tem como eixos prioritários o adensamento das cadeias produtivas relacionadas à construção e reparação naval militar e mercante, a geração de estímulos à economia do mar — que inclui as áreas de turismo e gastronomia, venda de cartas náuticas, levantamentos hidrográficos, dragagens, manutenção de embarcações, alienação de meios navais, docagens e perícias —, além de subsidiar e fortalecer a plataforma de exportações da base industrial de defesa.

Até 2007, o estado do Rio de Janeiro possuía mais de 85% dos postos de trabalho da indústria naval nacional. Entre 2007 a 2016, essa participação caiu pela metade. Em 2014, o estado ainda liderava a concentração de trabalhadores nos setores marítimos (401.616), o que correspondia a uma participação de 41,39% no somatório nacional, segundo estudo inédito sobre economia marítima feito pela professora Andrea Carvalho, da FURG, uma das palestrantes do seminário do dia 21.




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