Fiação elétrica subterrânea: mais confiabilidade ao sistema e segurança à população

Enterramento dos cabos de energia evitaria roubo de energia e de equipamentos e problemas com blecaute e manutenção excessiva.

O emaranhado de fios e cabos que marca as ruas e avenidas do país não é apenas uma visão desagradável e poluída, como também significa perigo para a população. Cabos de energia instalados de forma aérea estão mais expostos aos efeitos climáticos e à queda de árvores, o que provoca desligamentos de energia e até acidentes elétricos com transeuntes. No verão, não é rara a ocorrência de incidentes com crianças e seus pipas, por exemplo. Além disso, fios e cabos expostos facilitam a ação de fraudes (“gatos”) e furtos de equipamentos.

Uma solução para este caos urbano é o enterramento dos fios não somente de energia, mas também de telecomunicações e tevê a cabo. As redes de distribuição instaladas de forma subterrânea existem desde o início do século XX, mas, de lá para cá, pouco se evoluiu. Atualmente, a quantidade de rede de distribuição subterrânea no país não ultrapassa os 2%, sendo reflexo da falta de um modelo regulatório específico que incentive investimentos neste modelo de instalação. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), os índices variam de cidade para cidade, mas em Belo Horizonte, o percentual de redes enterradas é de 2%, em São Paulo é de 7% e no Rio de Janeiro 11%. 


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O enterramento das redes proporciona cidades mais seguras e com infraestrutura mais confiável. Na rede subterrânea, a manutenção é feita de forma preventiva, ou seja, o sistema é constantemente monitorado. Por outro lado, na rede aérea, onde predomina a manutenção corretiva, geralmente, a troca ou o reparo do equipamento só ocorre diante de um evento, como queima de equipamentos, dano por queda de árvores e tempestades ou mesmo explosões, provocando desligamentos. A consequência disso são os altos índices de DEC (duração do tempo em que, em média, uma unidade consumidora fica sem energia) e FEC (frequência com que isso acontece). A título de comparação, enquanto na Alemanha, que tem 80% da sua rede elétrica enterrada, o DEC é de 25 minutos por ano, no Brasil, este índice é de 13 horas na média. Na França, o FEC é 0,3 e aqui fica por volta de 8 interrupções por consumidor.

É fato que enterrar os cabos exige um investimento maior do que demanda a rede aérea, no entanto, há que se pensar na relação custo/benefício e nas vantagens obtidas no curto, médio e longo prazos. “Países ou cidades se beneficiam com o aumento do turismo; e a concessionária local e a prefeitura ganham com redução de manutenção na rede, diminuição de acidentes envolvendo pipas e roubo de cabos e outros equipamentos, além da estética e da segurança para toda a população”, avalia o diretor executivo da Baur do Brasil, o engenheiro eletricista Daniel Bento.

“As redes subterrâneas apresentam melhor confiabilidade, uma vez que não estão sujeitas aos efeitos do clima. Esta confiabilidade resulta em conforto para as residências e competitividade para a indústria, tendo em vista que mesmo pequenas interrupções podem provocar grandes impactos na produção industrial”, avalia Bento. De acordo com o executivo, “o enterramento das redes proporciona cidades mais bonitas, seguras e com infraestrutura mais confiável, ou seja, tudo para que tenhamos um país mais produtivo, com mais renda e segurança para todos”. Com isso, ganha o turismo, tendo em vista que uma cidade sem fios é muito mais agradável de ser visitada e permite que se apreciem as paisagens com mais visibilidade e sem interferência do caos da distribuição aérea.




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