Potencial de geração de energia a partir do lixo é suficiente para abastecer todo estado de Pernambuco

Custo para universalizar a destinação adequada de resíduos sólidos urbanos no Brasil seria de R$ 7,6 bi até 2023

Em 2017, o Brasil gerou mais de 78 milhões de toneladas, de acordo com o Panorama dos Resíduos Sólidos. Segundo estimativa inédita da ABRELPE - Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais esse volume tem potencial de geração de 14.500 GWh/ano de energia elétrica por processos de tratamento térmico. Esse potencial representa cerca de 3% do consumo nacional, ou o suficiente para abastecer todo o estado de Pernambuco ou os estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas juntos.

Considerando ainda a necessidade de avanços no sistema de destinação de resíduos por parte dos municípios, além dos processos de tratamento térmico, o Brasil ainda comporta processos de tratamento biológico, pelos quais há um potencial adicional de geração de energia elétrica de 1.400 GWh/ano.

“Além de contribuir para o incremento da demanda energética, a geração de energia a partir dos resíduos sólidos também beneficia todo o sistema de destinação de lixo no país que é ainda bastante deficitário e que, conforme as determinações da Política Nacional de Resíduos Sólidos, deve observar uma ordem de prioridade de ações”, ressalta Carlos Silva Filho, diretor presidente da ABRELPE.


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De acordo com os dados do Panorama, no último ano foram enviados para locais inadequados 30 milhões de toneladas de materiais com potencial de recuperação, que acabaram inutilizados e poluirão o meio ambiente por centenas de anos. Além disso, os quase 3 mil lixões em operação no País prejudicam a vida de mais de 75 milhões de brasileiros, gerando um custo ambiental e gastos com saúde da ordem de R$ 30 bilhões nos próximos 5 anos.

“Nossa estimativa é que o custo para universalizar a destinação adequada de resíduos sólidos urbanos no Brasil seja de R$ 7,6 bi até 2023”, avalia o diretor presidente da ABRELPE.

“A recuperação dos resíduos desperdiçados nos lixões e aterros controlados tem potencial para movimentar mais de R$ 3 bilhões por ano e gerar empregos para milhares de pessoas, basta que as disposições da Política Nacional de Resíduos Sólidos sejam colocadas em prática, fazendo a transição do atual sistema linear de gestão de resíduos para um modelo de economia circular, com pleno aproveitamento dos materiais e recursos, e ganhos para todos”, observa Carlos Silva Filho.




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