Presidente da GM defende foco na exportação

Carlos Zarlenga alerta para a importância de elevar a competitividade com investimentos visando o mercado global

O presidente da GM para a América do Sul, Carlos Zarlenga, defendeu a exportação como um dos pontos fundamentais para elevar a competitividade da indústria automotiva nacional, fortemente impactada pelo custo Brasil, principal barreira apontada pelo executivo em sua apresentação que encerrou o Encontro da Indústria de Autopeças, seminário realizado pelo Sindipeças na segunda-feira, 22, no São Paulo Expo e que antecedeu a abertura da Automec, feira internacional de autopeças.

Zarlenga citou perdas importantes da indústria a partir de velhos problemas causados pela infraestrutura logística deficiente e alta carga tributária imposta no País, além de citar taxas abusivas e alta volatilidade cambial. Zarlenga também criticou a inércia da indústria em focar esforços no Mercosul. Para o executivo, grande parte dos problemas estão do portão das empresas para fora, o que pode levar algumas empresas a um estado passivo, podendo levar os negócios à decadência.

“Temos uma capacidade instalada para produzir 4,5 milhões de veículos e não conseguimos exportar para ninguém. E não podemos considerar a Argentina como exportação, porque somos mercados complementares”, disse Zarlenga. “Todos sabem os problemas que tivemos no início do ano; para nós acabou bem, mas para outros não acabou bem”, disse se referindo à possibilidade da montadora em repensar sua presença no País, que há anos deixou de ser rentável para a matriz.


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O executivo defendeu também algumas soluções para destravar mecanismos que podem ajudar as empresas da cadeia a se reprogramarem e estar aptas para competir no mercado global, como a redefinição da alíquota do Reintegra para 9%, a fim de compensar impostos e taxas acumuladas ao longo do processo de manufatura e da cadeia de suprimentos.

“É preciso deixar de achar que está tudo bem. Não somos competitivos para trazer investimentos focados em exportação, mas exportar é necessário para competir. A abertura dos mercados vai acontecer e precisamos como País e indústria ganhar estes mercados. Para isso, é preciso planejar uma infraestrutura logística multimodal com eficiência portuária, além de redução de taxas internas. Estamos em um ponto de inflexão, os problemas não são novos, mas o tempo está acabando porque estamos diante de uma grande mudança tecnológica e queremos fazer parte dela porque a oportunidade é grande.”




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