Ameaça de desabastecimento de minério preocupa siderúrgicas

Embora os efeitos da descontinuidade parcial da mineração em Minas Gerais ainda não tenham chegado, de fato, às siderúrgicas, o desabastecimento de minério de ferro preocupa o Instituto Aço Brasil (Aço Brasil). A partir de uma reivindicação do setor, o governo federal prepara uma força-tarefa com incumbência de denir prioridades e implementar ações acerca das barragens de rejeitos em todo o País.

A informação é do presidente do Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes. Segundo ele, a preocupação das siderúrgicas foi passada ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, no início do mês. Na ocasião, executivos das principais companhias do setor reivindicaram uma solução para o impasse envolvendo a oferta de minério e pelota para a indústria diante das restrições após o rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), em janeiro.

“O setor siderúrgico tem um grau de dependência muito grande do minério nacional, mercado que é dominado principalmente pela Vale. Isso quer dizer que a paralisação, mesmo que parcial, das atividades da mineradora está diretamente relacionada ao abastecimento dos parques siderúrgicos”, explicou.
Conforme Lopes, com a determinação da Justiça para interdição de barragens e minas da mineradora, algumas produtoras de gusa já foram afetadas, e a preocupação, neste
momento, é que o desabastecimento atinja também as siderúrgicas.


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“Se faltar minério e pelotas, o setor vai parar. Em caso de desabastecimento, seja de minério ou pelotas, a consequência será a paralisação dos altos-fornos. Se abafar o forno, para a usina toda”, lembrou.

Por isso, segundo ele, a prioridade é evitar novos rompimentos e retomar a operação de barragens com tecnologias diferentes da que se rompeu em Brumadinho.
“Sugerimos a contratação de uma empresa internacional isenta para atestar a estabilidade ou não das barragens, evitando assim as pressões de agentes públicos como o Ministério Público ou empresas envolvidas em processos anteriores. Só assim será possível uma avaliação real dos riscos”, explicou.

Novo encontro – A força-tarefa a ser criada pelo governo foi uma indicação do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, diante dos impasses. Conforme o presidente do Aço Brasil, um novo encontro deverá ocorrer na próxima semana, quando a composição do grupo será criada, bem como um cronograma de ações.

“Por causa de toda a emoção em torno da tragédia em Brumadinho, ninguém assume a responsabilidade de atestar mais nada de mineração neste País. Está todo mundo com receio. Mas sabemos que temos barragens e minas seguras que precisam voltar a produzir, senão teremos um desabastecimento em cadeia”, alertou.
O encontro com o ministro reuniu o Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil e contou com a presença de representantes da Usiminas, Gerdau e Arcelor, entre outras. Além da demanda de uma scalização externa, os executivos pleitearam a retomada das operações da mina de Brucutu e do processo de pelotização em Vargem Grande.




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