Betim disputa com a Ásia para sediar fábrica de motores da Fiat

Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), disputa com a Ásia a possibilidade de sediar uma fábrica de motores da Fiat Chrysler Automobiles (FCA). O investimento seria de alguns milhões de reais e englobaria os cerca de R$ 8 bilhões que a montadora pretende investir na planta mineira até 2023. 

A decisão sobre quem vence o páreo sai ainda neste ano. Após a definição de onde será instalada a planta, serão necessários 18 meses para desenvolver os projetos de implantação. A capacidade instalada e a quantidade de empregos criados não foram informadas. A afirmação foi feita pelo presidente da Fiat para a América Latina, Antonio Filosa, na tarde desta quinta-feira (14). 

No país, a previsão é a de investir R$ 14 bilhões até 2033. Além de Betim, a companhia possui operações em Goiana, no estado de Pernambuco, onde fica uma moderna fábrica com capacidade para produção de 250 mil veículos por ano. 

Maior planta da companhia no Brasil e uma das maiores do mundo, a unidade mineira tem capacidade para fabricar 800 mil carros anualmente. 
Atualmente, a planta de Betim sedia duas fábricas de motores. Na FireFly são produzidos equipamentos 1.0 e 1.3. Já na Fire são fabricadas máquinas com potência 1.0 e 1.4.


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Segundo Filosa, cinco tipos de motores serão desenvolvidos no local escolhido. Dois já existem, outros dois têm patentes de conhecidos e o quinto possui patente da própria Fiat. 

Páreo 

Minas Gerais está em desvantagem na disputa. O Estado tem 49% das chances de receber o empreendimento, contra 51% da Ásia. “A competitividade dos asiáticos é maior, mas Betim tem mão de obra qualificada”, destaca o executivo. 
A alta carga tributária nacional, especialmente a mineira, conforme Filosa, é um forte entrave na atração do complexo. “Os fornecedores também têm que fazer a parte deles, reduzindo os preços”, afirma. 

Brumadinho 

O rompimento da barragem de Feijão, operada pela Vale em Brumadinho, vai afetar o desempenho da Fiat no Brasil. 
A companhia ainda não realizou estudos específicos a respeito do assunto, mas o impacto negativo no Produto Interno Bruto (PIB) terá reflexos nas vendas, segundo Filosa. “Estimamos PIB de 2,5% e aumento do consumo de veículos em 8% para este ano. Mas se o PIB cair, a demanda cairá também”, pondera. 

Levantamento do Núcleo de Estudos de Modelagem Econômica e Ambiental Aplicada (Nemea), da UFMG, aponta que, já em 2019, a previsão é a de que haja queda de 0,47% na soma das riquezas mineiras, o equivalente a R$ 2,81 bilhões de um PIB estimado em R$ 597,76 bilhões. A título de comparação, o montante é maior do que a dívida de R$ 2,1 bilhões do governo de Minas com os servidores, que ainda não receberam o 13º salário. E, no longo prazo, o rombo pode piorar.

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