Inovação avalia qualidade asséptica e anticorrosiva na indústria

Parceria da Unesp Araraquara com setor produtivo teve apoio do programa PIPE, da Fapesp

Uma parceria entre Unesp e o setor produtivo viabilizou o desenvolvimento de um instrumento de inspeção portátil para realização de testes voltados ao estudo da passivação do aço inoxidável, permitindo a análise da qualidade asséptica ou de resistência à corrosão de equipamentos e tubulações diretamente na planta industrial. O projeto recebeu apoio do programa PIPE, da Fapesp.

A passivação do aço inoxidável remete à formação de uma camada protetora gerada a partir da reação química entre componentes do inox e o meio ambiente. É esta camada a responsável pela assepsia e resistência à corrosão do aço inox que conhecemos.

Denominado PassivityScan, o projeto foi liderado pelo professor Cecilio Sadao Fugivara e pelo pesquisador Assis Vicente Benedetti, ambos vinculados ao Instituto de Química da Unesp de Araraquara, em parceria com o engenheiro Luis Henrique Guilherme, diretor-técnico da Soudap, empresa parceira na iniciativa.


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A inovação tornou a Soudap a primeira empresa brasileira de consultoria e inspeção especializada em aplicações assépticas ou corrosivas capaz de avaliar e qualificar uma instalação industrial utilizando técnicas eletroquímicas. Entre dezembro de 2017 e agosto de 2018, o projeto teve apoio do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da Fapesp, que incentiva a execução de pesquisa científica ou tecnológica em micro, pequenas e médias empresas no estado de São Paulo.

Aplicação

A tecnologia pode ser aplicada em diversos setores da indústria, como farmacêutica, alimentícia, química e petroquímica, uma vez que esses setores precisam operar sob rigorosos critérios de qualidade asséptica e de resistência à corrosão. Guilherme explica que as normas da indústria atribuem exigências quase exclusivas sobre propriedades mecânicas dos materiais usados por esses setores, negligenciando variáveis que podem reduzir a qualidade asséptica ou de resistência à corrosão dos equipamentos durante sua construção.

“Uma soldagem pode ser realizada por procedimento qualificado, mas não atender aos critérios metalúrgicos para um bom desempenho em um meio corrosivo”, exemplifica o engenheiro e diretor-técnico da empresa parceira da Unesp. “Isso se deve principalmente pela falta de instrumentos capazes de avaliar a qualidade do filme passivo formado na superfície do aço, como ocorre nos aços inoxidáveis”.

O instrumento de inspeção portátil desenvolvido pela equipe de pesquisadores e empresários, denominado PassivityScan, atua justamente nessa lacuna ao otimizar os parâmetros dos processos construtivos, como soldagem e polimento, no intuito de se obter a máxima qualidade de passivação do aço. Dessa forma, a aplicação do PassivityScan está relacionada ao controle de qualidade na fase de construção do equipamento e também na qualificação do equipamento para meio asséptico ou corrosivo.

“Como o instrumento é portátil, os equipamentos e tubulações industriais podem ter sua qualidade asséptica ou de resistência à corrosão avaliada diretamente na planta industrial”, explica Guilherme.

Um artigo sobre o trabalho foi publicado na edição de dezembro do periódico Corrosion (NACE): https://doi.org/10.5006/3004.




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