Gerdau: Único modo de elevar uso de capacidade atual é com exportação

Dada a marcha lenta da economia e a carga tributária que incide até sobre o produto entregue ao consumidor final no exterior, a única maneira de elevar o uso de capacidade instalada da siderurgia no curto prazo é exportar mais, disse o presidente-executivo da Gerdau, Gustavo Werneck.

O executivo respondeu, durante o Congresso Aço Brasil 2018, a pergunta feita por Marco Polo de Mello Lopes, presidente do Instituto Aço Brasil, de como ocupar mais o parque industrial do aço no país, hoje com quase 32% de ociosidade em meio a 50 milhões de toneladas de capacidade. O ideal, diz a entidade, é voltar a 80%.

“Investimos US$ 1,5 bilhão em um laminador a quente e outro de chapas grossas na nossa usina de Ouro Branco [MG], esperando crescimento do consumo de aço pelas indústrias de máquinas e equipamentos, naval e de petróleo e gás. A demanda não veio, então 40% da produção no Brasil temos que exportar”, comentou Werneck.

Para exemplificar o quanto desaprova a alta carga tributária brasileira, o executivo disse que mantém cerca de 122 profissionais na unidade local responsáveis só pela análise tributária. Na América do Norte, tão importante para o grupo quanto a unidade Brasil, são sete.


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Assim como o Aço Brasil, o presidente da Gerdau também citou como problemático o corte da alíquota do Reintegra, de 2% para 0,1%, após uma greve dos caminhoneiros “inimaginável”, em suas palavras. O programa do governo federal compensa exportadoras pelo resíduo tributário nas vendas ao exterior, calculado em cerca de 7%.

“Quando colocamos nosso aço no porão do navio, para levar ao cliente no exterior, ao lado dele vai um pacote de 7% de resíduo tributário”, declarou Werneck. “Nenhum consumidor quer pagar esse adicional, então quem arca com isso é a empresa, comprimindo margens.”

O executivo também comentou que o custo de energia por aqui — e no caso da Gerdau, a eletricidade é um insumo muito importante por conta de seus fornos elétricos em que produz aço longo com sucata — mina os negócios. O preço médio do megawatt-hora (MWh) por tonelada, por exemplo, foi de US$ 120 no Brasil em 2017. Nos Estados Unidos, chega a US$ 70.

“Então a indústria do aço no Brasil não precisa de subsídios, não precisa de benefícios, necessita de isonomia competitiva, de condições justas e igualitárias para competir no mercado global. Acho importante repetir isso”, afirmou.

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