Volkswagen deve retomar produção total da fábrica de São Bernardo

No aniversário de 65 anos, montadora produz 1.036 veículos diários, e deve chegar a 1.100

No ano em que completa 65 anos no Brasil, a Volkswagen está prestes a retomar a capacidade total da fábrica de São Bernardo, localizada na Via Anchieta. Passados os últimos anos de crise econômica no País, que afetou diretamente a indústria automobilística, a unidade trabalha hoje com produção diária de 1.036 veículos e, caso o ritmo seja mantido, deve chegar aos 1.100 nas próximas semanas.

Atualmente, a planta – que foi a primeira construída pela Volkswagen fora da Alemanha, com produção iniciada em 1957 –, não possui nenhum trabalhador em lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho) ou licença remunerada. No total, são 9.163 funcionários responsáveis pela produção do novo Polo, Virtus e Saveiro. No ano passado, cerca de 700 trabalhadores ficaram em lay-off.

Em 2016, a montadora já havia anunciado investimento de R$ 7 bilhões – R$ 2,6 bilhões em São Bernardo – no desenvolvimento e lançamento de 20 modelos até 2020. Os quatro primeiros: novo Polo, Virtus e Amarok V6 (vem da Argentina) já tinham sido lançados, e o novo Tiguan (do México) foi anunciado ontem. O T-Cross, que será lançado em janeiro de 2019, deve ser produzido na fábrica de São José dos Pinhais (no Paraná), a única que ainda tem trabalhadores em lay-off, o que deve gerar retorno gradual.


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Questionado se haverá produção de novo modelo na unidade do Grande ABC, o presidente e CEO da Volkswagen América do Sul e Brasil, Pablo Di Si, afirmou que ainda não pode divulgar a informação. “Teremos alguma outra surpresa que comentaremos num momento apropriado”, disse.

No ano passado, a montadora foi a principal exportadora do País, com a marca de 163 mil carros. A previsão para este ano é chegar em 180 mil. A venda a outros países foi um dos principais fatores que ajudaram na recuperação da indústria automobilística durante 2017, ano em que os efeitos da crise econômica nacional ainda eram sentidos pelas fabricantes no País.

O presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Antonio Megale, destacou que o segmento, inclusive na região – que concentra seis montadoras divididas em São Bernardo e São Caetano – está se recuperando.

“O mercado automotivo crescendo a 21% no acumula do deste ano, e a Volkswagen crescendo mais, por si só já está alavancando a região. Principalmente porque há muitas indústrias de autopeças. Então o crescimento das montadoras e a exportação têm movimentado a cadeia automotiva. A gente espera que com essa previsão de crescimento de 3% do PIB (Produto Interno Bruto), se o cenário político não for complexo neste ano, o segmento deva expandir também”, assinalou.

Para a Volkswagen, há expectativa de crescimento acima do mercado. “Até a manhã de hoje (ontem), nós produzimos volume 43% maior em relação ao ano passado. O novo Polo e o Virtus estão vendendo muito bem, superando concorrentes dentro da categoria. Além disso, carros como Gol e Saveiro continuam a vender.”

Porém, apesar do bom momento, ainda não há previsão para contratações. “Depende do mercado, nós temos expectativa. Estamos estudando”, afirmou Di Si.

O prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), também esteve presente no evento e destacou a importância da montadora na formação do município. “A cidade cresceu ao redor da Volkswagen”, disse. Ele também lembrou a proximidade com o setor produtivo e citou a Lei de Incentivo Fiscal do município, que oferecerá desconto para empresas que contratarem a partir de 50 funcionários.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, o Wagnão, demonstrou preocupação com o impacto das novas tecnologias na geração de empregos. “A questão é quantos empregos essa nova indústria vai absorver. O que se fala no mundo é que inovações da indústria da transformação podem eliminar postos de trabalho. Isso precisa ser discutido.”


Programa Rota 2030 segue sem definição para aprovação

O programa de incentivo fiscal do governo federal às montadoras que investirem em pesquisa e desenvolvimento, o Rota 2030, segue sem definição de aprovação. A principal preocupação das fabricantes é a questão do planejamento e investimentos a longo prazo. De acordo com o presidente da Volkswagen, Pablo Di Si, a expectativa de aprovação do Rota é “para ontem”, e sua definição é fundamental no médio e longo prazos. “Em 2000, os carros do Brasil não tinham tecnologia nem eficiência energética. Com o Inovar-Auto (programa de incentivos à indústria automotiva que vigorou até 2017) a pesquisa e engenharia do Brasil mudaram. Hoje estamos falando do elétrico, do híbrido, então precisamos ter uma estrutura que nos dê esta previsibilidade”, disse.

O presidente da Anfavea, Antonio Megale, afirmou que por enquanto as indústrias não foram afetadas pela indefinição, já que os investimentos anunciados tinham sido programados anos atrás. Em abril, a associação deve se reunir com o presidente Michel Temer (MDB). Sem informar data, ele afirmou que a expectativa é a de que a definição aconteça nos próximos meses. “Tem alguns problemas, algumas divergências dentro do governo. Eles estão arrumando. Nós temos reunião marcada no meio de abril e esperamos que até lá estejam resolvidos.”

Questionada, a Casa Civil afirmou que o tema ainda está em discussão no governo. 




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