Pernambuco assina protocolo para receber a primeira indústria estrangeira de munições do Brasil

Protocolo de intenções entre o governo do estado e a empresa suíça Ruag foi assinado, nesta sexta-feira, no Recife. Previsão é produzir primeiros projéteis de armas de fogo em 2018.

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), assinou, nesta sexta-feira (15), no Recife, o protocolo de intenções para a construção da fábrica da Ruag Indústria e Comércio de Munições Ltda, da Suíça. Ela será a primeira empresa estrangeira do segmento de projéteis e armas de fogo a atuar no Brasil. A previsão é começar a produzir as primeiras balas em 2018.

Fundada em 1995, a empresa europeia conta com 12 fábricas em todo o mundo. São, ao todo, quase 9 mil funcionários. No estado, o investimento inicial previsto é de R$ 58,5 milhões.

Segundo a presidente da Ruag no Brasil, Maria Vasconcelos, a linha de produção pode ser ampliada. E, com essa possível expansão, o investimento em Pernambuco pode chegar até R$ 250 milhões. O local da fábrica ainda não foi definido.

A empresa fabrica mais de 1.600 tipos de munições. Em Pernambuco, a meta é começar a trabalhar na produção de calibres para armas pequenas como 9 mílimetros, ponto 40 e 380. A expectativa inicial de vendas chega a R$ 10 milhões por ano.

A proposta inicial da Ruag é abrir 40 vagas de emprego em Pernambuco. Durante a solenidade de assinatura do protocolo de intenções, Maria Vasconcelos informou que esse número pode aumentar.


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“Não fabricamos apenas munições. Nós temos varias divisões. Uma vez estabelecida no país, existe a possibilidade de crescimento em outras áreas. Isso vai aumentar o número de funcionários”, observou.

Para o grupo suíço, a instalação da fábrica terá impactos positivos em Pernambuco. A tendência, na avaliação dos empresários, é incentivar outras companhias a escolher o país e o estado para implantar empreendimentos.

Para Maria Vasconcelos, a Ruag quebrou um tabu. "Todo mundo queria vir, mas, em determinado momento, isso parou. O Brasil, que era mania, virou fobia. Todo mundo se retraiu por sentir dificuldades em relação à burocracia. Nós insistimos e, agora, mostramos o que Brasil é possível, que o estado de Pernambuco é possível”, completou.


Segundo o presidente da Ruag, Cristoph Eisenhardt, Pernambuco foi o estado escolhido por causa de incentivos fiscais e em virtude da localização estratégica do Porto de Suape, o mais próximo da Europa. “Essa é uma indústria que requer talentos e pessoas capacitadas. Encontramos boas universidades e o Porto Digital”, observou.

Para o governador Paulo Câmara, a escolha de Pernambuco é um motivo de comemoração. Ele acredita que o ambiente econômico do estado foi um dos principais pontos de atração para a empresa.

Câmara destacou que esse é um investimento de porte, pioneiro e que, com certeza, vai contribuir para a geração de emprego e renda. "Ter um polo de defesa vai nos dar respostas mais rápidas quanto ao combate à violência. São respostas que nos trarão tecnologia e inovação nessa área para nós tenhamos a possibilidade de estarmos mais aparelhados", declarou.

Cerimônia

A solenidade de assinatura também contou com a presença do Ministro da Defesa, Raul Jungmann, de representantes das Forças Armadas e da Polícia Militar. O ministro avaliou a ocasião como um momento histórico para o Brasil.

“Isso representa centenas de empregos de qualidade, tecnologia e a possibilidade que nosso estado e o Nordeste venham a ancorar uma cadeia de investimentos na área de produtos de defesa", declarou.

Segundo ele, para o Brasil, isso significa uma saudável competição. "Até aqui, nós tínhamos um monopólio de, aproximadamente, 80 anos. Isso é importante, porque agrega conhecimento, tecnologia e produtos de qualidade”, destacou.

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