AL-KO investe R$ 2,5 milhões no Brasil

Fabricante de eixos e chassis para carretas leves se instala em Atibaia.


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A fabricante alemã de chassis e eixos para reboques AL-KO está investindo R$ 2,5 milhões em uma operação própria no Brasil. A empresa já atuava no mercado local por intermédio de um distribuidor, mas em julho assumiu o negócio e se instalou na cidade de Atibaia (SP), onde passará a montar eixos sob demanda entre junho e julho de 2018 em vez de trazê-los prontos da Europa, como faz atualmente. 

“Queríamos começar em janeiro, mas dependemos da produção local de uma máquina que só ficará pronta no meio do ano”, afirma o diretor geral da companhia no Brasil, Arndt Budweg. Por aqui a AL-KO fornece eixos avulsos e chassis com um ou dois eixos para carretas até 3,5 mil quilos utilizadas no campo (rebocadas por tratores, por exemplo), no transporte de cavalos, barcos, quadriciclos e em obras de infraestrutura, carregando geradores, compressores e torres de iluminação. 

“Enquanto o mercado de implementos rodoviários caiu quase 60% entre 2014 e 2016, para 23,7 mil unidades, o emplacamento de carretas leves como as nossas manteve números próximos a 100 mil unidades, o que indica uma produção total próxima a 120 mil, porque muitas não são emplacadas”, recorda o executivo. 


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“Queremos 10% desse mercado em dois ou três anos”, diz Budweg. “Para 2018 o faturamento bruto esperado no Brasil é de R$ 5 milhões e queremos crescer de 30% a 40% a cada ano nos próximos cinco anos.” O faturamento líquido da companhia em todo o mundo será de € 450 milhões, 88% provenientes da Europa, 8% da Austrália e 4% do restante do mundo. A produção dos componentes ocorre na própria Alemanha, na Áustria, Espanha, França, China e na Itália. 

“Na Alemanha fica também nosso centro de pesquisa e desenvolvimento, onde trabalham cerca de 200 engenheiros”, recorda Budweg. Além dos eixos e chassis, a empresa produz acessórios como acoplamentos especiais, dispositivos eletrônicos antipêndulo, que reduzem as oscilações do reboque e a perda de controle, e também um sistema de freio inercial, acionado automaticamente em consequência da frenagem do veículo que estiver rebocando o trailer ou carreta. 

Na Europa a AL-KO detém 50% do mercado de reboques comerciais e 85% dos chassis para trailers de turismo. Aqui no Brasil, por causa da pequena produção de trailers para turismo, o volume de negócios no segmento é pequeno. “Vendemos cerca de 120 chassis em todo o ano para a Turiscar, a maior empresa do segmento”, diz Budweg. 

De acordo com levantamento da AL-KO, o Brasil tem 400 fabricantes de carretas homologados, quase todos pequenos. “A tendência é que esse mercado passe a se concentrar em grandes produtores. Muito do que se fabrica hoje no Brasil é feito a partir de sucata, aproveitando eixos traseiros do VW Gol, por exemplo, ou suspensões com feixes de molas de outros veículos. Além do risco à segurança, esses componentes são pesados. Nossos eixos são mais leves e nossos chassis, mais leves e mais baixos, o que melhora o desempenho geral e a estabilidade”, garante o diretor geral da companhia. 

Por algum tempo, os tubos que formam os eixos continuarão vindo da Alemanha. Em Atibaia eles serão cortados na medida encomendada e receberão a montagem dos braços de suspensão. A AL-KO também pretende nacionalizar rolamentos e itens fundidos como os cubos de roda com a ajuda de fornecedores locais. 

A AL-KO do Brasil é responsável pelos negócios em toda a América Latina. “Fecho daqui os pedidos que vão para outros países da região. Mais adiante, por questões logísticas, é provável que a unidade de Atibaia abasteça a Argentina e o Uruguai.” De acordo com o executivo, a escolha de Atibaia para erguer a fábrica se deu pela proximidade com as rodovias Fernão Dias, D. Pedro I, com o Aeroporto Internacional de Cumbica, Guarulhos, e pelo preço do metro quadrado. 

Valores médios praticados

De acordo com Arndt Budweg, os produtos de maior volume de vendas no Brasil são os eixos, que terão cerca de mil unidades vendidas em 2017. Um modelo para até 750 quilos sem freios próprios sai por cerca de R$ 650. Com os freios o valor sobe para R$ 1,5 mil. O chassi AL-KO com um eixo parte de R$ 5,6 mil e o de dois eixos passa a R$ 8 mil. Em tempo: carretas com peso bruto total até 750 kg dispensam freios próprios; de 751 kg em diante precisam tê-los.

A origem da empresa

A AL-KO nasceu em 1931. O nome da antiga empresa familiar vem do fundador, Alois Kober. No início de 2016 um grupo financeiro formou a Dexko ao adquirir a AL-KO e também a Dexter, que atua no mesmo segmento, mas na América do Norte. “Mas toda a operação no Brasil deriva da AL-KO, sobretudo pelo uso das normas europeias e do sistema métrico”, conclui.

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