Rota 2030 empaca no desprezo da Fazenda

MDIC não consegue aprovar programa, que enfrenta resistência.


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“O que falta é a Fazenda aprovar, só isso, mas está difícil.” Com essa afirmação o ministro Marcos Pereira, titular do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), demonstrou sua insatisfação com a demora na aprovação do Rota 2030, o programa de desenvolvimento do setor automotivo em discussão desde abril, que segundo Pereira reconhece está parado por falta de falta de aprovação do Ministério da Fazenda. “O problema nem é mais discutir incentivos tributários, mas agora estão questionando o mérito do programa inteiro, que na opinião de alguns não é necessário”, afirma. 

O ministro participou na segunda-feira (13), do Encontro Econômico Brasil-Alemanha, em Porto Alegre (RS), e aproveitou para conversar com alguns com alguns representantes da indústria. Pediu a eles para que, em reunião marcada nesta terça-feira, 14, com Michel Temer, digam ao mandatário que o problema está na Fazenda. Pereira afirmou ainda que está em discussões com o outro Ministério, mas que tem dificuldades em convencer sobre a importância do programa. “Precisamos decidir o que queremos, quero resolver isso até o fim do mês para poder apresentar o programa, para valer a partir de janeiro, ou a indústria vai ficar sem nenhum programa”, afirmou. 


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“Não tem plano B. O plano B é não ter programa em janeiro se a Fazenda não aprovar”, alertou Pereira. Segundo ele, a principal proposta do desenho tributário do Rota 2030 era o fim da cobrança de impostos na cadeia produtiva do setor automotivo. “Fizemos contas, apresentamos ao Ministério e provamos que não há impacto fiscal relevante. Mas está difícil aprovar qualquer medida tributária”, disse. 

Segundo integrantes do setor, a Fazenda passou a minar o Rota 2030 com a difusão de informações negativas sobre o programa na imprensa, abrindo conflito entre os ministérios. Para algumas fontes, o Ministério coloca muito foco no empenho fiscal que o programa pode criar, mas esquece dos benefícios, como o aumento da eficiência energética e segurança dos veículos feitos no País.
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