Foton revê planejamento da fábrica em Guaíba (RS)

O CEO da empresa no Brasil, Luiz Carlos Mendonça de Barros, prevê mercado para 130 mil unidades em 2020.


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A crise econômica, que ganhou ares severos a partir de 2015, determinou mudanças profundas no projeto de construção da fábrica de caminhões da chinesa Foton, em Guaíba, no Rio Grande do Sul. Além do adiamento das obras, em conjunto com a engenharia da matriz, a gestão brasileira, comandada pelo empresário Luiz Carlos Mendonça de Barros, redimensionou o tamanho da fábrica, que será 30% do original. Antes prevista em 20 mil m², a área terá 7 mil m²; o investimento programado de R$ 85 milhões ficará em torno de R$ 40 milhões.

A estrutura, de acordo com o CEO da Foton Caminhões, estará preparada para uma produção de 7 mil unidades, em sintonia com os planos de participação da marca no mercado brasileiro nos próximos anos. Em 2025, a empresa quer ter market share de 17% nos modelos de 3,5 toneladas e de 9% a 10% nos veículos de 10 toneladas.

Mendonça de Barros estima que, no prazo de três a quatro anos, o País voltará a ter mercado estimado em 130 mil unidades, mais do que o dobro do esperado para 2017, de 60 mil, mas abaixo dos 200 mil dos períodos áureos de 2012 e 2013. Além do Brasil, a fábrica de Guaíba será a fornecedora para os mercados da América Latina, agregando volumes à produção.

CEO da Foton Caminhões, Luiz Carlos Mendonça de Barros.
Imagem: Foton/ Divulgação

Enquanto a fábrica de Guaíba não fica pronta, o que deve ocorrer no final de 2018, para início de produção no ano seguinte, a Foton Caminhões fortalece sua operação em Caxias do Sul, onde ocupa instalações da Agrale desde março. Alugar o espaço foi a saída encontrada para montar os veículos e cumprir com o objetivo de ampliar a presença do mercado nacional, até então abastecido somente por unidades importadas. O contrato com a Agrale foi firmado até o final do ano que vem.


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O CEO assinala que, para este ano, a projeção de produção é de 350 a 400 unidades, que será acelerada no terceiro trimestre. Para 2018, a meta é de 1,3 mil a 1,5 mil unidades. Além dos novos modelos recentemente lançados e que serão montados em Caxias do Sul, a estratégia contempla, para o próximo ano, incluir caminhões de 16 e 24 toneladas, além de uma van movida a gasolina, que vem com a função de ocupar espaço da Kombi, que teve produção descontinuada pela Volkswagen. "Ela será um pouco mais cara que a Kombi, porém mais barata que as opções a diesel hoje existentes no mercado", assinala Mendonça de Barros, destacando que a montagem seguirá o esquema dos caminhões, com trabalho de engenharia local para fazer as adaptações necessárias ao mercado brasileiro.

Com a fábrica de Guaíba concluída, a Foton partirá para a ampliação da linha produtos, contemplando picapes, caminhões pesados e ônibus. De acordo com Mendonça de Barros, o projeto de Guaíba tem vantagem de ser uma proposta modular, permitindo expansão. Um dos prédios será destinado aos caminhões leves; outro para a Kombi e demais vans; e um terceiro para os modelos pesados.

Mas cumprir todas estas etapas depende, segundo o CEO, da recuperação do mercado. "O colapso no mercado de caminhões foi brutal e a retomada será gradual", vislumbra o empresário. Mas em linha com a visão da maioria dos agentes econômicos, alerta que a recuperação efetiva dependerá das eleições de 2018.

Desde abril, a Foton China está com estrutura instalada em Guaíba e uma filial em São Paulo, atuando como empresa comercial, a quem caberá comprar os componentes para a unidade brasileira. A estratégia, de acordo com Mendonça de Barros, é importante para os fornecedores que poderão ter amplitude global. Também serão de responsabilidade da empresa recém-criada os recursos necessários para os novos projetos.

A rede de concessionários tem 23 pontos. Os mais ativos e com maior participação de mercado estão localizados na região Sul.

Produtos nacionais já estão a venda

A Foton Caminhões iniciou a comercialização no mercado brasileiro de duas novas famílias desenvolvidas especificamente para atender às necessidades de logística urbana e interurbana. Tratam-se dos veículos Minitruck, de 3,5 toneladas, e do caminhão leve, Citytruck, de 10 toneladas, ambos "made in Brazil". Desenvolvidos pela engenharia brasileira da Foton Caminhões em cooperação com a engenharia da Foton chinesa, estes novos caminhões já estão em produção no Brasil com elevado índice de componentes nacionais. "Este é um importante marco na história da Foton no Brasil, uma vez que, a partir de agora, já temos produtos nacionais e que podem ser beneficiados pelo programa Finame", comemora Luiz Carlos Mendonça de Barros, que trouxe a marca para o Brasil em 2010.

Com as famílias Minitruck e Citytruck, a Foton Caminhões traz ao mercado brasileiro alternativas de veículos para transporte de cargas com características técnicas inovadoras e únicas. Além disso, a marca também cria um novo sub-segmento, o de minicaminhões - Minitrucks - veículos robustos e com configurações adequadas para atender com mais eficiência o transporte urbano de cargas mais volumosas e com mais peso. A família tem três diferentes versões. Com o Foton Citytruck 10-16, a empresa criou o caminhão leve com as maiores capacidades de cargas útil e no eixo dianteiro do País: 3.600 kg. Com acréscimo de eixo adicional, a capacidade de carga pode chegar a 12 toneladas.

Os novos modelos nacionais das duas famílias Foton são veículos configurados com itens de série como ar condicionado, vidros elétricos, travas elétricas das portas, rádio com MP3/USB, defletor de teto e embreagem servo-assistida. Componentes normalmente oferecidos como opcionais entre as marcas que competem com a Foton neste segmento. O caminhão de 10 toneladas traz 70% de conteúdos nacionais. Já o de 3,5 toneladas ficou um pouco abaixo por questões tecnológicas, mas ainda assim dentro do limite para financiamento pelo Finame. A produção começou em nível baixo, até em função da logística de coleta de componentes junto a fornecedores, alguns localizados em São Paulo e Santa Catarina, e pelas condições atuais de mercado.




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