Para Abimaq, investimento em máquinas fica proibitivo com a TLP

A aprovação da Medida Provisória (MP) nº 777, que cria a Taxa de Longo Prazo (TLP) em substituição à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) nos contratos do Bndes para financiar investimentos, preocupa a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Em visita a Porto Alegre neste mês, para a comemoração dos 80 anos da Abimaq, o presidente do Conselho de Administração da entidade, João Carlos Marchesan, avaliou que a mudança tornaria proibitivo o investimento em máquinas no País, pelo encarecimento do crédito - a nova taxa será próxima aos juros de mercado.

Embora a TJLP esteja em 7% ao ano, Marchesan observa que, com as taxas, o repasse ao empresário é feito com juros de 14%. "A TLP, indexada na NTN (Nota do Tesouro Nacional) Série B, que é IPCA 5%, levaria hoje o financiamento a um o custo de 18% a 20%. Então torna proibitivo o investimento em máquinas". 

O dirigente da Abimaq aponta que, nesse cenário, aplicar o dinheiro no banco dará um retorno maior. "Então, essa medida é anti-industrializante, leva a não investir e a comprar fora, porque o custo do dinheiro no financiamento externo de produtos importados é muito mais barato do que no Brasil. Acaba levando a indústria a desaparecer", projeta.

As emendas à MP ainda não foram votadas, e a Abimaq espera que saia da Câmara dos Deputados um outro juro para financiar máquinas e equipamentos. "Nós precisamos de crédito. O maior problema da indústria no Brasil hoje é crédito, porque o custo do dinheiro é muito alto". 

Marchesan salienta que o governo deveria ter como objetivo incentivar exportações de manufaturas, ainda mais com a recessão no mercado interno, mas cita outro entrave, a cotação do dólar. "Com o mercado interno da forma como está, o que precisamos fazer é exportar mais. Mas não temos um câmbio competitivo". 


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O presidente do Conselho de Administração da Abimaq considera ruim para as exportações o câmbio atual de cerca de R$ 3,15. "Todos os países protegem os seus mercados com câmbio desvalorizado. Nós, ao contrário, por entendermos que devemos baixar a inflação via câmbio". 

Para Marchesan, um câmbio competitivo para a indústria exportar seria de R$ 3,60. "Isso é competitivo. O câmbio industrializante seria R$ 3,90, leva o empresário a dizer: 'o negócio exportação é tão bom quanto vender no mercado interno. Então, vou investir na minha indústria'. Esse é industrializante."

Outras frentes da entidade no Congresso Nacional são a reforma tributária, a MP 774, de desoneração da folha de pagamento, e a MP 783, Programa Especial de Regularização Tributária (Refis), todos em tramitação no Congresso.

Para este ano, a projeção da Abimaq é que o País "pare de piorar", mas sem grandes avanços no PIB. O setor espera reagir para gerar novos postos de trabalho. "Até 2012, o setor de máquinas e equipamentos matinha 390 mil empregos diretos. Em 2015, passou a 290 mil empregos", compara Marchesan.




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