Confiança cai na indústria e deixa retomada para depois


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A queda de 2,8 pontos do Índice de Confiança da Indústria (ICI) entre maio e junho interrompeu a trajetória de volta à normalidade do indicador, reforçando as apostas de que o momento de retomada ainda não chegou. A avaliação é de Tabi Thuler Santos, coordenadora da Sondagem da Indústria de Transformação, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV).

O ICI ficou em 89,5 pontos este mês, inferior ao nível de 90 pontos considerado "extremamente baixo" pelo Ibre. "A confiança está mais volátil por causa do período recessivo e da incerteza, mas ela havia ficado 33 meses abaixo de 90 pontos, saído desse patamar e, agora, voltou a entrar nessa zona", disse Tabi, para quem os dados de junho mostram mais aspectos desfavoráveis.

A retração da confiança espalhou-se por 13 dos 19 segmentos industriais da pesquisa e atingiu tanto as expectativas quanto as percepções sobre a situação atual. O Índice de Expectativas (IE) caiu 3,6 pontos, para 92,1 pontos, e o Índice da Situação Atual (ISA) recuou 2,0 pontos, para 87,0 pontos.

Para Tabi, o destaque negativo foi o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), que diminuiu 0,5 ponto ante maio, para 74,2%. Se somente a relativa estabilidade dos últimos meses já assustava, por passar a percepção de que a indústria estava perdendo empregos e máquinas e produzindo um pouco mais usando os mesmos insumos, a retração forte neste mês assustou ainda mais, disse. "O Nuci mostra de que a indústria está perdendo capacidade."

A economista ressaltou ainda o indicador de emprego previsto, que encolheu 7 pontos em junho, para 85,6 pontos. O recuo forte pode estar associado à maior incerteza instaurada pela crise política, que gera dúvidas sobre como será implementada a reforma trabalhista, avaliou.

Num quesito especial da sondagem, a FGV perguntou às empresas se a crise iniciada em maio deve impactar as decisões quanto à mão de obra e investimentos produtivos. Para 27,6% dos empresários, a instabilidade deve afetar negativamente as contratações nos próximos meses, proporção que alcança 34,7% na questão sobre investimentos.


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"Se a ociosidade está alta e houve piora forte no índice de emprego, isso só reforça que não vai haver investimentos de curto prazo", afirmou Tabi. É difícil precisar com clareza quanto e quando o nível de atividade deve ser contaminado pela nova crise, ponderou, mas é certo que haverá influência.

Outro vetor negativo pode vir dos estoques, que seguem desajustados. O indicador de mercadorias paradas que compõe a sondagem subiu 5 pontos entre maio e junho, para 109,8 pontos, terceira piora seguida. Desde o terceiro trimestre de 2016, observou a economista, as previsões de demanda dos empresários vêm se frustrando, o que explica a alta de inventários.

Por categorias de uso, o destaque negativo é o de bens de consumo duráveis, no qual a diferença entre a proporção de empresas com estoques excessivos e insuficientes atingiu 36,9 pontos este mês, ante 32 pontos em maio. No segmento de bens de capital, essa diferença também aumentou, de 11,6 pontos para 15,6 pontos. Já o setor de bens de consumo não duráveis teve ligeira redução (7,7 pontos para 6,4 pontos) e o de bens intermediários ficou estável (3,5 pontos para 3,6 pontos).

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