Produção de veículos cresce e caminha para superar expectativa

Anfavea pretende revisar projeções assim que o cenário político estiver definido.

Enquanto o mercado começa a dar os primeiros sinais de uma recuperação, a produção de veículos já acumula números vistosos. De janeiro a maio saíram as fábricas brasileiras 1,03 milhão de unidades, entre leves e pesados, com aumento substancial de 23,4% na comparação com intervalo equivalente de 2016. O resultado foi divulgado pela Anfavea, associação que representa os fabricantes do setor, na terça-feira (6). A entidade avalia que o resultado é consistente e, portanto, pretende revisar para cima a projeção de que seriam produzidos 2,41 milhões de veículos em 2017. 

“O viés é claramente de crescimento, mas dependendo do quadro político, pode ser mais ou menos positivo”, diz Antonio Megale, presidente da organização. Ele defende que é precipitado revisar as expectativas justamente neste momento e aponta que o melhor é esperar o cenário se definir para traçar novo panorama. O volume de produção isolado de maio também foi positivo. Com 237 mil unidades, a evolução foi de 25,1% sobre abril e ainda de 33,8% na comparação com maio do ano passado. Segundo a Anfavea, foi o melhor resultado para o mês desde 2014. 


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Com o mercado interno ainda combalido, o principal impulso para a produção de veículos veio das exportações, que cresceram expressivos 61,8% nos cinco primeiros meses de 2017 com relação comercial mais intensa com países da América Latina. As montadoras de veículos leves se saíram melhor de janeiro a maio, com crescimento de 23,9%, para 1 milhão de unidades. Enquanto isso, a produção de caminhões avançou 13,9% e a de ônibus, 4,3%. 

Ociosidade alta, mas com estoques controlados

Ainda que os volumes estejam em expansão, a Anfavea alerta que as fábricas brasileiras seguem com a capacidade produtiva bastante ociosa, perto de 50%, índice que é ainda maior entre as fabricantes de veículos pesados, beirando os 80%. O nível de emprego também permanece contraído e acumulou redução de 5,1% este ano na comparação com 2016, com leve alta em maio, para 121,4 mil pessoas trabalhando nas montadoras. “É o mesmo patamar de 2009”, diz Megale, apontando que as contratações recentes são de empresas que firmaram contratos importantes de exportações, como a Scania.

Do total de funcionários das fabricantes de veículos, 10,8 mil deles seguem afastados em acordos de suspensão temporária do contrato de trabalho (layoff) ou pelo Programa de Sustentação do Emprego (PSE). “A produção está crescendo, mas ainda não demos um salto de ocupação, com turnos novos nas fábricas. As empresas só tomam este tipo de decisão quando têm certeza”, esclarece o presidente da Anfavea.

Se a ociosidade segue elevada, as montadoras conseguiram equacionar outro problema importante: o nível de estoques. Com 214,4 mil veículos armazenados nos pátios das concessionárias e das fábricas, o patamar parece ter se estabilizado em 33 dias, o que Megale considera adequado diante da vasta gama de marcas e modelos oferecidos no mercado nacional. “O agravamento da crise traz incertezas, o que afeta investimentos e o emprego. A solução tem que vir logo. Nós, ao lado de outros agentes econômicos, estamos trabalhando normalmente e fazendo a nossa parte”, conclui o executivo. 




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