Aprovações de financiamentos do BNDES para máquinas e equipamentos sobem 32% no 1º trimestre

Estatísticas operacionais apontam sinais de recuperação da demanda por crédito para bens de capital e infraestrutura.

As estatísticas operacionais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no primeiro trimestre de 2017 reforçam a expectativa de melhora da atividade econômica, com recuperação gradual da demanda por recursos do BNDES ao longo do ano. Um sinal importante aparece nos números da linha BNDES Finame, que financia a aquisição de máquinas e equipamentos. As aprovações dessa linha (etapa anterior ao desembolso) subiram 32% nos três primeiros meses do ano, na comparação com o primeiro trimestre do ano anterior. Foram R$ 4,6 bilhões aprovados entre janeiro e março deste ano contra R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre de 2016.

As consultas para financiamentos na área de Infraestrutura também cresceram 25% no primeiro trimestre de 2017, com projetos somando R$ 9,3 bilhões. No setor de Comércio e Serviços, as consultas subiram 14% na mesma comparação com igual trimestre do ano anterior, somando R$ 5,3 bilhões. Outro destaque positivo no trimestre foi a alta de 46% dos desembolsos para inovação, que somaram R$ 590 milhões.

Os números globais de desembolsos, no entanto, por espelharem consultas em anos passados, demoram um pouco mais a reagir. Ainda refletindo o quadro econômico de baixa demanda por financiamentos dos últimos dois anos, o total de desembolsos nos três primeiros meses deste ano somou R$ 15,1 bilhões, com recuo de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Em março o BNDES desembolsou R$ 5,1 bilhões, com queda de 18% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando foram desembolsados R$ 6,2 bilhões. Os desembolsos da Finame somaram R$ 4,1 bilhões no primeiro trimestre deste ano, 11% abaixo do liberado no mesmo período do ano passado.

Cabe ressaltar, entretanto, que a queda dos desembolsos está desacelerando. Na primeira metade de 2016, os desembolsos caíram 42% ante o mesmo período do ano anterior. O segundo semestre mostrou retração mais amena, de 28%, também em relação ao mesmo período de 2015. A queda de 17% no primeiro trimestre de 2017 confirma essa tendência.


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Capital de giro e MPMEs

Ainda em consequência do contexto econômico, a linha BNDES Progeren, que financia capital de giro para empresas com dificuldade de acesso a crédito de curto prazo, seguiu como principal destaque nos desembolsos do primeiro trimestre. A linha desembolsou R$ 1,8 bilhão no primeiro trimestre do ano, um crescimento de 345% na comparação com o mesmo período de 2016. Em apenas três meses o BNDES Progeren desembolsou mais do que a metade do volume de crédito liberado nessa linha em todo o ano passado, que foi de R$ 2,7 bilhões. No acumulado em 12 meses, foram R$ 4 bilhões, alta de 138% em relação a igual período imediatamente anterior. Cerca de 80% desses recursos foram para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), ajudando a aumentar a participação do segmento no volume total de desembolsos do Banco, e cumprindo o objetivo de evitar que mais empresas entrem em recuperação judicial ou falência, com a consequente perda de ativos produtivos e empregos.

Entre janeiro e março deste ano, o BNDES desembolsou R$ 6,2 bilhões em mais de 80 mil operações com MPMEs, 41% de tudo o que o Banco emprestou no período. É a maior fatia alcançada por esse segmento nos desembolsos do Banco em um trimestre nos últimos três anos. No primeiro trimestre de 2015 e no de 2016, essa participação havia ficado em, respectivamente, 30% e 39%. Nos últimos 12 meses, entre abril de 2016 e março de 2017, o segmento respondeu por 31%.

O crescimento da participação das MPMEs nos desembolsos do BNDES reflete uma série de iniciativas lançadas nos últimos meses para ampliar e simplificar o acesso desse segmento ao crédito do Banco. Entre elas, criação de novos canais de distribuição do Cartão BNDES, aumento de prazos, a maior agilidade nos processos e a ampliação de R$ 90 milhões para R$ 300 milhões do limite de faturamento para o enquadramento de empresas nas condições de financiamento do BNDES para esse segmento.

O primeiro trimestre deste ano registrou alta de 27% nas liberações para médias empresas, mas houve estabilidade entre as pequenas empresas e queda de 33% do desembolso para microempresas. É o que explica o recuo de 11% dos desembolsos para MPMEs no período, apesar do avanço da participação do segmento no desembolso total do Banco. A retração dos desembolsos para grandes empresas foi quase duas vezes maior: 20%, sempre na comparação com igual período do ano anterior.

Agropecuária em alta

Entre os setores econômicos, a Agropecuária segue em destaque com R$ 3,3 bilhões liberados entre janeiro e março deste ano, alta de 6% em relação a igual período do ano passado. Motivado pela safra recorde, o setor ficou com pouco mais de 22% de tudo o que o BNDES emprestou para investimentos nos três primeiros meses deste ano, refletindo diversos programas agrícolas do Governo Federal.

A maior parcela dos desembolsos do BNDES foi para a Infraestrutura, que respondeu por 33,5% do total com pouco mais de R$ 5 bilhões no trimestre. Apesar dessa cifra significar queda de 13% em relação ao primeiro trimestre de 2016, três segmentos de Infraestrutura destacaram-se positivamente. Transporte ferroviário e energia elétrica tiveram, respectivamente, alta de 106% e 9%. Já o setor de telecomunicações somou desembolsos de R$ 693 milhões nos três primeiros meses do ano, alta de 929% ante igual período do ano passado, com uma concentração de investimentos em modernização de redes.

O setor de Comércio e Serviços ficou com quase 24% dos recursos liberados pelo BNDES no primeiro trimestre, somando R$ 3,6 bilhões (-2%). A maior queda na comparação com o mesmo trimestre do ano passado foi a da Indústria (-43%), cuja capacidade ociosa não tem estimulado investimentos. Foram R$ 3,1 bilhões liberados, pouco mais de 20% do desembolso total do BNDES.

No recorte regional, a liberação de crédito para investimentos no Nordeste e no Centro-Oeste subiu, respectivamente, 14% e 29%, no primeiro trimestre, enquanto houve retração nas outras regiões na comparação com o mesmo período de 2016. A maior foi na região Sul, com redução de 35% dos desembolsos.