Indústria puxa novo ciclo de investimentos diretos

Fonte: Valor Online - 24/07/07

O surpreendente volume de Investimento Estrangeiro Direto (IED) em junho, US$ 10,318 bilhões, o maior da história do país, contribuiu para empurrar o dólar ladeira abaixo. A moeda americana fechou ontem em queda de 0,80%, cotada a R$ 1,8420, o menor preço desde 14 de setembro de 2000, e só neste mês já se desvalorizou 4,51%.



O dólar deve testar R$ 1,80, sem obstáculos previsíveis pelo caminho. O país vive uma nova onda de investimentos estrangeiros diretos, espalhados pelos diversos setores da economia, incluindo a indústria, num movimento muito distinto do verificado na década de 1990, quando foram majoritários os fluxos para serviços, sobretudo privatizações.

Os investimentos diretos chegaram a US$ 32,261 bilhões nos 12 meses encerrados em junho e, mantido o ritmo atual, deverão superar o volume recorde observado em 2000, quando somaram

US$ 32,779 bilhões. Os dados parciais de julho, até o dia 23, indicam a entrada de US$ 3 bilhões e o BC prevê que, no mês, o volume suba para US$ 3,5 bilhões.

O extraordinário desempenho de junho deve-se em grande parte a três operações de grande porte, a mais importante delas a oferta pública feita pela ArcelorMittal, de US$ 5,4 bilhões, para comprar ações da Arcelor Brasil. Mas, para analistas, a perspectiva de crescimento da economia explica a alta dos investimentos. Dados do BC mostram que 47% dos investimentos diretos brutos (sem considerar as saídas) ocorridos no primeiro semestre foram para a indústria.

Neste cenário, não surpreende que ações do BC como as medidas restritivas à exposição cambial dos bancos tenham surtido pouco efeito sobre a valorização do real. As posições "vendidas" à vista carregadas pelas instituições nacionais caíram de US$ 7,29 bilhões no fim de junho para US$ 5,29 bilhões no dia 20 - o recorde havia sido em maio, de US$ 15,79 bilhões -, mas sem conseguir frear a queda do dólar.
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