Cargas eólicas são alternativa para portos baianos

Só no ano passado, o Porto de Salvador movimentou 25 mil toneladas de equipamentos.

A instalação de produtores de energia eólica no interior da Bahia e de fabricantes de equipamentos, principalmente na Região Metropolitana de Salvador, mas também em outras áreas da Bahia, vem atraindo a atenção de terminais portuários instalados no estado. Só no ano passado, o Porto de Salvador movimentou 25 mil toneladas de equipamentos, enquanto outras 3,5 mil toneladas passaram pelo Porto de Ilhéus.

O filão de mercado foi percebido pelo Terminal de Contêineres (Tecon) do Porto de Salvador, operado pela Wilson Sons, há dois anos. De lá para cá, foram movimentados 4,9 mil contêineres com equipamentos e 37 mil toneladas de grandes partes, como hubs, torres, naceles, pás e outras peças, conta a diretora comercial do Tecon, Patrícia Iglesias. “Nós temos investido na atração desse tipo de carga porque enxergamos que a economia baiana cresce nessa direção”, explica. 

É este mesmo raciocínio que está movendo a Enseada Indústria Naval a oferecer parte da área do estaleiro, às margens do Rio Paraguaçu, como terminal portuário para receber e escoar equipamentos para a produção de energia eólica, além de áreas para a implantação de fabricantes de componentes. “Nossa vocação principal é naval, mas temos um terminal portuário de grande capacidade, além de estruturas que permitem operações da indústria metal-mecânica e de construção, entre outras”, destaca o diretor de Relações Institucionais da Enseada Indústria Naval, Humberto Rangel. 


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“Temos uma estrutura que permite tanto o escoamento, quanto a fabricação de peças grandes, como pás e torres”, explica Rangel.

Com 73 parques eólicos instalados e outros 159 em construção, a Bahia caminha para se transformar no principal estado produtor de energia a partir dos ventos no Brasil, com uma potência instalada de 5,5 mil megawatts, de acordo com dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). Mas o potencial do estado é 35 vezes maior, de 195 mil megawatts, de acordo com levantamento das Secretarias de Infraestrutura (Seinfra) e de Ciência e Teconologia (Secti) da Bahia.

Para aproveitar pelo menos parte desse potencial, a logística é apenas parte dos desafios pela frente, reconhece o diretor de infraestrutura da Seinfra, Celso Rodrigues. “O cenário que temos adiante é de crescimento. Só para o leilão de energia renovável, previsto para o fim deste ano, teremos 240 projetos, que vão oferecer ao mercado 6 mil megawatts. É mais do que tudo o que temos”, ressalta. 

Segundo ele, o estado tem buscado adaptar estruturas viárias e portuárias para atender a atividade e evitar que o transporte se torne um gargalo para o desenvolvimento da atividade. “Os desafios surgem com o desenvolvimento do setor. São pontes, viadutos, passarelas que precisam de adaptações. Agora mesmo estamos trabalhando para adaptar o túnel da Via Expressa às dimensões dos equipamentos”, diz. 

A “evolução” dos equipamentos, segundo ele, torna o desafio de adaptação constante. “As pás que antes tinham 45 metros, hoje saem com 62 metros”, compara.




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