Iedi lança plano assinado por 39 grandes empresas para Brasil sair da crise

Em entrevista ao 'Valor', presidente da entidade explicou os objetivos do texto.


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"Nenhum país comete suicídio. O Brasil há de achar uma saída alternativa para a crise", afirmou Pedro Wongtschowski, presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), em entrevista publicada no jornal Valor Econômico desta sexta-feira (18). As declarações culminam com o lançamento de um documento da instituição elaborado a partir de dezenas de encontros com empresários, economistas e representantes do governo.

O texto, assinado por 39 empresas de peso - entre elas Vale, Gerdau, Natura, Embraer, Ambev e Klabin - será enviado hoje às autoridades competentes. À reportagem assinada por Lígia Guimarães e Catherine Vieira, Wongtschowski opinou que o Brasil está preparado e ansioso para "aderir a um plano convincente que nos mostre uma saída". 

A ideia, de acordo com ele, é dar voz à frustração sentida por nenhum projeto econômico que "capture o entusiasmo nacional" ter sido lançado até agora. "A adesão da sociedade viabiliza a aceitação de sacrifícios: trabalhadores, investidores, pessoas físicas e pessoas jurídicas", afirmou o presidente do Iedi ao Valor.

Intitulado "Para Vencer a Crise", o documento não entra em questões políticas como o pedido de impeachment à presidente Dilma Rousseff. O jornal diz que o instituto é considerado uma entidade low profile pelo próprio presidente, por isso não há um posicionamento institucional a respeito de temas dessa espécie. "Cada empresário pode se posicionar", afirmou Wongtschowski às repórteres. 

Sobre uma possível saída do ministro Joaquim Levy da Fazenda, porém, o especialista mostrou preocupação. "Eu acho ruim, uma sinalização negativa. O Levy representa a racionalidade do governo federal", disse. O JB já havia antecipado, no dia 14, que importante mudança aconteceria no mercado financeiro.


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Além do próprio Levy, participaram das discussões sobre o plano do Iedi nomes como Luciano Coutinho, Armando Monteiro, José Serra, Delfim Netto e José Roberto Mendonça de Barros. Ainda de acordo com o texto do Valor, uma das proposições resultantes do texto é que a política industrial evite subsídios, exceto para a inovação ou situações específicas em que o apoio faça sentido. 

O foco do plano, porém, não é a política industrial. Ainda que esse seja o principal setor de interesse do Iede, Wongtschowski explica que a questão fiscal tem mais urgência no atual cenário brasileiro. "Um déficit fiscal de 10% do PIB é obviamente insustentável. Mais do que isso, há algo errado com um país em que a taxa de retorno do investimento na indústria tem sido sistematicamente menor que o custo de capital. Qual é o incentivo do investimento industrial no Brasil com as taxas de uros vigentes?", questionou durante a entrevista, evidenciando a ordem lógica dos problemas fiscal e industrial.

Falando sobre a metodologia de elaboração do plano, Wongtschowski explicou que o Iedi conta com um pequeno corpo técnico, liderado pelo ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Julio Gomes de Almeida. "A forma de atuar são reuniões periódicas com economistas, autoridades do governo, discussões entre os empresários e os conselheiros do Iedi. (...) Essas reuniões se destinam, primeiro, a organizar a cabeça dos empresários e formar consenso. E, segundo, a ouvir diretamente a visão das pessoas do governo e também dar a eles a visão da indústria brasileira", informou o presidente do instituto na entrevista.




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