Governo suspende corte do Finame-PSI

Presidente da Anfavea anuncia a volta da linha de crédito na Fenatran.

Enfim a queda nas vendas de caminhões podem ter algum alívio no que resta de 2015. O governo decidiu retomar a operação do Finame-PSI, linha de crédito do BNDES subsidiada para caminhões, máquinas agrícolas, industriais e outros bens de capital. A volta do principal financiamento para o setor de veículos comerciais foi anunciada por Luiz Moan, presidente da Anfavea, na abertura da Fenatran, feira de transporte rodoviário, na segunda-feira (9).

No fim de outubro o governo decidiu cortar R$ 30,5 bilhões da linha de crédito, reduzindo o montante de R$ 50 bilhões para R$ 19,5 bilhões, considerando todas as modalidades. Para caminhões e ônibus a oferta caiu para R$ 6,9 bilhões. A medida esfriou ainda mais os já enfraquecidos resultados do segmento. As vendas de caminhões diminuíram 52,5% em outubro na comparação com o mesmo mês do ano passado, para 5,77 mil unidades. No acumulado dos primeiros 10 meses de 2015 foram negociados 61,3 mil veículos, com queda de 44,9% para o menor patamar do período desde 1999. 

A decisão de retomar o Finame-PSI até o fim de 2015 atende a um pleito da Anfavea e pode trazer algum alívio para o setor, principalmente no início da Fenatran. A feira tradicionalmente é responsável por 40% do volume de vendas dos anos em que acontece, conforme aponta Bernardo Fedalto, diretor de vendas de caminhões da Volvo. 

Apesar de ter confirmado a volta do mecanismo de financiamento, o governo ainda não esclareceu quais recursos vai oferecer para garantir a linha de crédito. Só ficou determinado que o Finame-PSI permanecerá com as mesmas condições mantidas até outubro de 2015: taxas de juros de 9% a 10%, prazo máximo de 72 meses e entrada de 30% para pequenas e médias empresas e de 50% para as grandes. 

“A volta do Finame-PSI vai garantir que a Fenatran seja efetivamente uma feira de negócios”, avalia Moan. Segundo ele, dar condições para sejam feitos investimentos é um dos caminhos para que o Brasil consiga se recuperar da crise econômica. “Temos de melhorar a confiança do consumidor e também a do investidor”, destaca.


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2016 ainda nebuloso 

As empresas e entidades que estão na Fenatran são cautelosas ao traçar as expectativas para o mercado brasileiro em 2016, concordando apenas em um aspecto: o ano que vem ainda não deve ser marcado pela recuperação das vendas. A impressão é de que os negócios permaneçam estáveis na comparação com 2015. 

Não há expectativa também de que o Finame-PSI seja estendido para o próximo ano. A Anfir, associação dos fabricantes de implementos rodoviários, defende que o governo deve restabelecer o Finame indexado pela TJLP, a Taxa de Juros de Longo Prazo. “É importante garantir previsibilidade para o mercado”, enfatiza Alcides Braga, presidente da organização. Ele calcula que, nesta condição, os juros anualizados ficariam em torno de 12% ao ano.




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