Jorge Gerdau: É mais divertido trabalhar na crise

O empresário defende que enfrentar desafios torna o caminho dos empreendedores mais estimulante e que a sociedade civil deve se unir para levar suas demandas à esfera federal.

“A falta de liderança faz com que estejamos numa situação delicada. Ainda assim é um país dez vezes melhor do que tivemos em outros momentos. A dimensão do mercado hoje é muito maior, o avanço das instituições fez com que possamos acreditar no país”, afirmou o empresário Jorge Gerdau. Destaque do CEO Summit, evento da Endeavor, Ernst & Young e Sebrae, realizado em São Paulo, Gerdau disse que a característica desse momento é “o acúmulo das crise fiscal, econômica e moral”. “Hoje estamos impedidos de aplicar algumas soluções econômicas por um impasse político”.

O empresário admitiu que, assim como muitos brasileiros, embarcou na “ilusão” de que o ritmo de crescimento do país não corria riscos. “A alta valorização das commodities e a ilusão do petróleo fizeram com que nós acreditássemos. Eu também me iludi e estou pagando”, disse.

A crise política experimentada pelo Brasil faz com que Jorge Gerdau acredite que, da mesma maneira que aconteceu após a saída do presidente Fernando Collor, quando Itamar Assumpção assumiu o governo, será necessário construir uma coalizão para resolver impasses e tornar o país mais governável. “Em gestão, o processo mais importante chama-se governança. E nós perdemos isso por euforias primárias. Precisamos sentar e definir o que temos de fazer”, afirmou.

Apesar do cenário pessimista desenhado por analistas e agências de classificação de risco, Jorge Gerdau mostra-se otimista e acredita que os empresários e empreendedores têm pela frente um cenário interessante. “É mais divertido trabalhar na crise. Eu prefiro trabalhar na crise, porque a minha capacidade de esforço é maior. Eu sou mais criativo, encontro soluções melhores. Eu sou mais demandado em momentos de crise. É como aquele ditado: animal de barriga cheia não caça”.


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“Termos de enfrentar um desafio é profundamente estimulante”, afirmou. “O limite do nosso crescimento é o crescimento do país. Para melhorar nosso market share, temos que melhorar a situação do Brasil.”

Para uma plateia formada basicamente por empreendedores, o empresário disse que se sente mais feliz entre seus pares. “Eu adoro estar no meio de empresários. Nada me faz tão bem quanto estar cercado de outros empresários. Em compensação quando tenho de ir a Brasília me faz muito mal”.

Jorge Gerdau tem um papel de destaque entre o empresariado por sua participação em conselhos que trabalharam diretamente com o governo federal e governos estaduais. Ele começou a oferecer seus insights para a administração pública, porque achava que poderia fazer algo por sua "paróquia”. "Nós todos temos que trabalhar para melhorar o país. Eu comecei querendo fazer algo pela minha paróquia. E então a paróquia foi crescendo, e a minha responsabilidade também. O último compromisso de responsabilidade social é com o planeta”.

Ao falar sobre sua experiência de gestão, ele citou que das 12 vezes em que trabalhou com a administração pública  – governo federal e 11 estados – apenas quatro casos  resultaram em mudança cultural. “Se não tiver rumos definidos, é impossível ter governança. Ser uma empresa de gestão competente é essencial. Isso no governo é dez vezes mais importante”.

“O governo precisa ter clareza dos temas que são prioridade, como educação, saúde, mobilidade”, afirmou.

A atuação do empresariado, na opinião de Gerdau, está deixando a desejar e poderia levar a mudanças no âmbito federal. “A sociedade civil tem sido omissa ou incapaz de levar suas demandas ao governo. Vocês acham que vai mudar alguma coisa no Congresso se deixarmos correr solto? Democracia é passar por lutas e desafios. A solução está na pressão da sociedade civil”.




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