Fornecedores de autopeças investem para elevar produção

Fonte: Instituto Brasileiro de Siderurgia - 09/07/07

Os fornecedores de peças para veículos (autopeças) estão investindo na construção e ampliação de unidades fabris na tentativa de acompanhar o ritmo de crescimento da produção de veículos no País, que segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) deverá aumentar em 10% neste ano, frente ao ano passado, para 2,870 milhões de unidades.

Fabricante de chicotes elétricos (fiação), compressores de ar condicionado e radares, a Delphi Automotive Systems investiu US$ 30 milhões no ano passado, na América do Sul, para fazer frente ao crescimento do mercado automotivo. O presidente da empresa para a região, Gábor Deák, explica que a demanda por autopeças, contudo, não cresce no mesmo ritmo de venda das montadoras.

"Houve forte crescimento do mercado interno, mas é preciso descontar a redução das exportações, as perdas provocadas pela desvalorização do dólar e o aumento da importação. Esses fatores fizeram com que o crescimento de venda de automóveis fosse maior que o da produção interna e, portanto, de sistemas automotivos. Mas o crescimento permanece positivo", afirma Deák.

Segundo diagnóstico do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), o faturamento do setor nos primeiros cinco meses deste ano, em reais deflacionados, cresceu 4% frente a igual período do ano passado. O levantamento foi realizado com 55 empresas que respondem por 30% da receita bruta do setor, de acordo com o estudo divulgado pelo sindicato.

A Delphi possui 12 fábricas na América do Sul, sendo uma na Argentina e 11 no Brasil (quatro em São Paulo, três em Minas Gerais, duas no Rio Grande do Sul, uma no Paraná). A empresa faturou no ano passado US$ 822 milhões e espera encerrar este ano com receita de US$ 1 bilhão. Nos últimos meses, a empresa contratou mil funcionários, atingindo a marca de 10 mil empregados na América do Sul.

"Das 11 fábricas que temos no Brasil, duas receberem investimentos recentemente. Uma foi complemente construída em Jacutinga, em Minas Gerais, e outra foi ampliada em Espírito Santo do Pinhal, em São Paulo. Estamos, portanto, nos preparando para atender aos volumes adicionais demandados pelas montadoras", acrescentou o executivo.

A Fundição Brasileira de Alumínio (FBA), fornecedora de tampas de válvulas, caixa de câmbio e componentes de motor, pretende ampliar a capacidade mensal de produção de sua fábrica em Tatuí (SP) de 1.300 toneladas para 1.600 toneladas de peças injetadas de alumínio. O projeto faz parte do plano de crescimento da empresa iniciado em 2000, que prevê aporte de recursos da ordem de R$ 50 milhões.

Segundo o diretor-superintendente da empresa, Alexandre Antunes Gonçalves, o aumento da demanda das montadoras permitirá um aumento de 50% na receita bruta da FBA neste ano, passando de R$ 200 milhões, registrados em 2006, para R$ 300 milhões. A empresa é fornecedora de todas as grandes montadoras brasileiras, segundo informou Gonçalves.

"Tomamos uma decisão acertada em 2003, quando decidimos construir a fábrica de Tatuí, o que aumentou de 500 toneladas para 1.300 toneladas a nossa capacidade de produção. Essa decisão permitiu que aproveitássemos o aumento da demanda do mercado", explicou o diretor da FBA, empresa com cerca de 30 anos de atuação no mercado.

Já a multinacional Visteon estuda ampliar a capacidade de produção de sua divisão de injeção plástica, que produz consoles e outros equipamentos para carros, dentro de um ano. A empresa faturou cerca de R$ 1 bilhão no ano passado com suas seis unidades na América do Sul, sendo três fábricas no Brasil (Guarulhos, Manaus e Camaçari) e três na Argentina (duas em Buenos Aires e uma em Rio Grande).

O vice-presidente da empresa para a América do Sul, José Helio Contador Filho, lembra que a empresa acaba de dobrar a capacidade de produção em Manaus, onde produz placas eletrônicas e sistemas de áudio. Foi investido US$ 1 milhão para instalar uma nova unidade em uma área de 8 mil metros quadrados, que produzirá 800 mil sistemas de áudio por ano, voltados ao mercado interno.

"A ampliação da capacidade em Manaus nos dá espaço para atender ao crescimento da demanda de mercado no segmento de eletrônicos, mas precisaremos aumentar em cerca de 30% a capacidade de produção na área de injeção plástica, dividida entre as plantas de São Paulo, Camaçari e Buenos Aires", disse o vice-presidente da Visteon, prevendo crescimento de 10% na receita da companhia neste ano.


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