Demanda por máquinas só deve ser retomada em 2016

Fabricantes de máquinas e equipamentos temem que empresas não sobrevivam até pacote de concessões de infraestrutura sair do papel.

Com o mercado ainda sem dar sinais de recuperação, os fabricantes de máquinas e equipamentos ficam na expectativa do que o novo pacote de concessões de infraestrutura, anunciado pelo governo no dia 9, possa gerar de demanda. Isso se, de fato, vier a sair do papel. Um efeito sobre os pedidos, no entanto, só deve começar a se materializar em um ano, estimam os empresários desse setor.

No entanto, alegam, muitas empresas podem não sobreviver até lá. Isso porque, além da demora nos processos que levam ao início da execução das obras, existe uma frota de equipamentos e máquinas ociosa que deve ser colocada de volta nos canteiros de obras, antes de novas compras.

Para este ano, portanto, os números estimados pelas companhias ainda não indicam recuperação do mercado, mas o humor dos empresários a respeito de 2016 começa a melhorar. Foi essa perspectiva de longo prazo que levou a chinesa LiuGong a decidir instalar uma fábrica em Mogi-Guaçu, no interior de São Paulo, em março, e que deve atingir capacidade de produção de 1,5 mil máquinas ao ano até 2018.

A decisão foi tomada em meio a uma crise generalizada da indústria de base. De acordo com Bruno Barsanti, vice-presidente da LiuGong para a América Latina, a empresa acredita no potencial de crescimento do país e prevê que há espaço para investimento no mercado de construção. "Entendemos que a retomada de infraestrutura vai acontecer e estamos investindo para estarmos preparados."

A fabricante de equipamentos da linha amarela BMC - Hyundai espera reduzir o faturamento neste ano em torno de 10% a 15%, decorrente de um pedido do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), no ano passado, que fez o faturamento crescer 20% em relação a 2013. Excluindo o efeito do MDA, a companhia teria reduzido em 5% a 8% o faturamento em 2014 - e a previsão seria de estabilidade para 2015.

Mas para o presidente da BMC-Hyundai, Felipe Cavalieri, o clima não é de pessimismo. Ele prevê uma retomada "razoável" no consumo já no segundo semestre deste ano, com os investidores tendo a dimensão do problema e enfrentando a necessidade de retomar os projetos, que são de longo prazo e precisam ser tocados.


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Já o pacote de concessões anunciado pelo governo, estima o executivo, deve levar ao menos 12 meses para provocar aumento de demanda. "É uma ótima notícia porque passamos a ter uma notícia. Até então, nos últimos 12 meses não havia nenhuma novidade de projeto, nenhuma movimentação da iniciativa privada", afirmou.

Odair Renosto, presidente da Caterpillar do Brasil, uma das maiores fabricantes de máquinas para construção, disse ao repórter do Valor Marcos de Moura e Souza que "o pacote é altamente positivo", mas que não é possível ter grandes expectativas para este ano, já que muitos equipamentos estão parados. O que deve haver no curto prazo, disse, é a retomada das obras que foram paradas ou estão andando em ritmo lento.

A fabricante de máquinas Ciber também acredita que as concessões inicialmente devem impactar somente a retomada de utilização da frota ociosa de máquinas. O presidente da empresa, Luiz Marcelo Tegon, estima que o faturamento da companhia sofra uma queda de 50% neste ano. Depois de ter havido um aumento de 7,5% no ano passado. "Este ainda será um ano difícil e a partir do segundo semestre de 2016 já deve iniciar uma retomada."

Há uma aposta de que o mercado vai se recuperar, porém de forma mais consistente somente no próximo ano. Até lá, é preciso sobreviver com o que tem. A questão é quais companhias têm condições de se manter de pé até que os novos projetos comecem a andar.

Empresas menores, que não possuem uma operação consolidada no país ou não contam com uma matriz robusta para sustentar sua operação enquanto a crise não finda, podem não sobreviver. Empresários à frente de pequenas fabricantes não descartavam meses atrás fechar as portas se novos pedidos não chegassem em breve.

Com seus associados enfrentando esse cenário de demanda escassa e sem tempo para esperar o pacote de concessões sair do papel, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) reforça suas críticas às medidas de ajustes fiscal adotadas pelo governo, cobrando ações.

A entidade está recomendando às associadas a adoção de medidas anticíclicas como suspensão temporária do contrato de trabalho ("lay off"), férias coletivas e redução de jornada com redução salarial.




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