GM põe fim ao Celta; Classic é o próximo

Fabricante deve também transferir produção do Cruze para a Argentina.

Segundo fornecedores de peças, concessionários Chevrolet e trabalhadores da fábrica de Gravataí (RS), há cerca de um mês a General Motors deixou de produzir o Celta, carro que foi lançado junto com a inauguração da planta gaúcha, em setembro de 2000, e desde então passou por poucas mudanças. Procurada, a GM não confirmou a informação e continua anunciando normalmente o Celta em seu website por R$ 34.990, provavelmente para desovar os estoques restantes. Esta semana, Valcir Ascari, diretor do sindicato dos metalúrgicos de Gravataí, confirmou a Automotive Business que já fazia “mais de 20 dias que o modelo não era produzido”.

O fim do Celta é o primeiro passo de uma mudança produtiva e de portfólio que a GM organiza para suas fábricas no Brasil e na Argentina, acabando com os modelos mais antigos ainda em linha. Segundo informações obtidas por Automotive Business, o próximo da lista é o sedã compacto Classic, ainda mais velho que o Corsa, lançado com este nome em 2003, mas desde 1996 vendido como Corsa Sedan, da primeira geração feita no Brasil. Com quase 20 anos de idade sem alterações significativas, o Classic é feito atualmente somente na Argentina e deve ter a produção encerrada até o fim do primeiro semestre de 2016, de acordo com o plano de encomenda de peças recebido por alguns fornecedores.

O espaço deixado pelo Classic na planta argentina, em Rosário, deverá ser ocupado pela nova geração do Cruze (hatch e sedã), programada para entrar em linha no segundo semestre de 2016, deixando de ser produzido no Brasil, em São Caetano do Sul (SP). Com essa manobra, a GM manda para a Argentina o modelo de seu portfólio que mais consome peças importadas (incluindo motor e câmbio), melhorando assim seu balanço de compras nacionais, cujo valor pode ser abatido integralmente da sobretaxa de até 30 pontos porcentuais do IPI criado pelo Inovar-Auto – a legislação industrial imposta pelo governo federal para o setor automotivo para incentivar a produção nacional com mais componentes feitos no País.


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Fechando o ciclo de remanejamento produtivo, a antiga fábrica de São Caetano, depois de perder o Cruze, passaria a fazer uma versão mais barata do Onix, hatch produzido hoje só em Gravataí, cujo preço mais barato hoje parte de R$ 40.590. Seria uma forma de compensar ao menos em parte a falta que o Celta fará. Custando cerca de R$ 5 mil a menos do que o Onix, foram vendidas de janeiro a maio deste ano 16 mil unidades do Celta, o que representou queda de 5% sobre o mesmo período de 2014. Ainda assim, o carro representou 9% das vendas da linha Chevrolet e foi o 17º automóvel mais emplacado no mercado brasileiro.

Já o Classic é o carro mais barato da linha Chevrolet no Brasil (R$ 34.250), representou 9% das vendas da marca e foi de janeiro a maio o 18º automóvel mais emplacado do mercado. Nos primeiros cinco meses de 2015 foram vendidas 15,9 mil unidades do sedã, com retração de 9,7% sobre idêntico intervalo do ano anterior. Ainda não há informações sobre o que a GM pretende fazer para substituir o Classic, já que o modelo mais próximo dele é o Prisma, que custa algo como R$ 13 mil a mais.