Torres eólicas, novo alvo da Usiminas

Fonte: Energéticas - 06/07/07

Empresa fornecerá 15 mil toneladas de aço para instalação da rede no Ceará até o final de 2008. A Usiminas Mecânica fechou contrato de R$ 50 milhões, numa primeira etapa, com a Siif Énergies do Brasil para a venda de 15 mil toneladas de aço jateado, que serão utilizadas na montagem de 107 torres eólicas no Ceará até o final de 2008. A Siif Énergies, sediada em Fortaleza, é controlada pela portuguesa HLC, especializada em energia renovável, e pelo Citigroup. "As negociações deste contrato começaram em novembro do ano passado e finalizadas só em maio. Este primeiro passo é importantíssimo porque a energia renovável está em desenvolvimento no mundo", antecipou a este jornal, Caio Nelson Nogueira Nápoles, superintendente da área de blanks da Usiminas.

Para viabilizar a produção, a empresa inaugurou na Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), em Cubatão (SP), sua quinta fábrica de blanks - as outras estão localizadas em Betim (duas), em Ipatinga (MG), e Vitória (ES).

A Usiblank III tem capacidade para beneficiar, inicialmente, 4 mil toneladas ao mês de blanks, que são peças de aço cortadas e pintadas, utilizados em aerogeradores. Esta produção será entregue entre agosto de 2007 a fevereiro de 2008. E, para atender a demanda, nesta unidade de Cubatão, foram instaladas máquinas de última geração, com capacidade para atender as indústrias de torres eólicas e naval.

Com a possibilidade da Siif passar a exportar torres metálicas feitas com chapas da Usiminas para a Europa, Alemanha, Espanha e EUA, a produção poderá atingir as 50 mil toneladas por ano. "Esse mercado é promissor e a torre eólica está virando "commodity", por isso é preciso muito cuidado na hora de negociar contratos", disse Nogueira Nápoles.

Pelo levantamento do Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, elaborado pela consultoria Camargo-Schubert para o Ministério de Minas e Energia, o Brasil tem um grande potencial de energia eólica. São 143,4 gigawatts (GW) distribuídos pelas cinco regiões do País, o que equivale a dez usinas hidrelétricas como Itaipu, com base sua nova capacidade, de 14 GW.

Mesmo com a dificuldade de imaginar que todo esse potencial seja convertido em usinas eólicas, só a iminência de o Brasil viabilizar 1,1 GW com a energia dos ventos já está refletindo no mercado. Esse potencial, que consta do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, está atraindo muitos investimentos. Cerca de 60% dos equipamentos precisam ter produção local. Colocar esse 1,1 GW à disposição consumiria R$ 5 bilhões em investimentos, e 80% dos recursos seriam usados na aquisição de equipamentos e tecnologia.

A Siif Énergies tem em carteira 355 MW, sendo que 220 MW em implementação no Ceará e 135 MW no Rio de Janeiro, também dentro do Proinfa, e mais 800 MW a serem investidos nos próximos programas do governo federal.

Em São Paulo, o grupo HLC desenvolveu e estruturou 24 projetos de centrais termelétricas a biomassa de derivados de cana-de-açúcar, cujas potências elétricas somam 300 MW. No Ceará, por meio de suas estruturas e parcerias locais, implementou nove centrais de geração de energia, num total de 127 MW, repartidos por 82 unidades autônomas de 1,55 MW cada uma. A empresa também é responsável duas centrais termelétricas a biomassa no Rio Grande do Sul, de 10,5 MW cada.



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