Scania inaugura laboratório de pesquisa em parceria com a Poli-USP

Instalado no Parque Tecnológico de Sorocaba, projeto vai estudar fenômenos do fluxo de ar no motor para reduzir a emissão de poluentes e o consumo de combustível.

A Scania e a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) inauguram nesta sexta-feira (10) o primeiro laboratório de pesquisa da indústria de caminhões no Parque Tecnológico de Sorocaba, interior de São Paulo. O projeto é fruto de um convênio de cooperação tecnológica assinado entre a montadora sueca e a Poli-USP em 2013 e realizado por meio da Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE).

“Para uma empresa pioneira em inovação e tecnologia como a Scania, incentivos a parcerias com instituições de ensino são parte do negócio e da garantia de excelência nas soluções que levamos para nossos clientes”, afirma Per Olov Svedlund, presidente e CEO da Scania Latin America.

Ao todo foram investidos R$ 6 milhões – o maior aporte da montadora em iniciativas de Pesquisa & Desenvolvimento no Brasil –, e o projeto prevê a construção do laboratório para estudar o comportamento do fluxo de ar dentro dos motores a diesel. “Essa investigação poderá contribuir para melhorar o desempenho dos motores, bem como o consumo e, principalmente, a redução de emissão de gases poluentes na atmosfera”, explica Svedlund.  

Segundo ele, o conhecimento gerado a partir dessa pesquisa também será aplicado no desenvolvimento de um software para previsão e controle do comportamento do fluxo de ar no motor. A ferramenta poderá ser futuramente utilizada no processo de manufatura de cabeçotes de motores, o que aprimorará o controle de qualidade dos componentes produzidos na montadora sueca.

Inovação

O laboratório da Poli-USP/Scania conta com equipamentos criados exclusivamente para o projeto. “Vamos abrigar, por exemplo, uma máquina de ensaio de fluxo de ar nos cabeçotes (parte superior do motor), que precisou ser desenvolvida e montada na universidade, bem como alguns sensores, que não existiam no mercado com a especificidade que o projeto exige”, explica o Prof. Dr. Marcelo Massarani, do Centro de Engenharia Automotiva da Poli-USP, responsável pela coordenação da iniciativa. “Essa tecnologia é completamente nova. Criada pelo grupo de especialistas reunidos para esse projeto, ela traz uma série de inovações, como a medição de deslocamentos a laser e a compactação de sensores, além de ser mais e eficiente e de baixo custo.”


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Além da capacidade para realizar processamento de simulações virtuais do fluxo de ar nos cabeçotes, o espaço abrigará equipamentos de escaneamento a laser, máquinas operatrizes para a fabricação de peças específicas, entre outros itens necessários para os estudos. Com apoio dessa estrutura, os pesquisadores poderão fazer ensaios, validar modelos matemáticos e simulações virtuais, fabricar e testar protótipos tridimensionais.

Mestrado profissional

Por meio do projeto, 12 engenheiros da Scania ingressaram no Mestrado Profissional em Engenharia Automotiva, ministrado pela Poli-USP. “O modelo de pesquisa dessa parceria é único entre os projetos em desenvolvimento na universidade”, ressalta Massarani. “A Scania trouxe o problema, e desenvolvemos um grupo de mestrado para buscar soluções. Estamos aprendendo muito, e temos como transferir esse conhecimento para a empresa, já que engenheiros da montadora estão envolvidos desde o início do mestrado.”

Svedlund observa que acordos de cooperação entre universidades e empresas são importantes, pois incentivam o aprimoramento dos engenheiros, geram conhecimento científico e promovem descobertas que podem trazer impactos positivos para o meio ambiente.

O engenheiro de produto e desenvolvimento de motores da Scania, Marcel Silva, faz parte da primeira turma do mestrado. Há um ano e meio estudando os fenômenos do fluxo de ar no cabeçote do motor, Marcel valoriza a troca de informações e métodos do mundo acadêmico para a iniciativa privada: “Está sendo muito importante trazer um pouco do ambiente acadêmico para a empresa. Percebemos uma distância entre esses dois mundos. Ter contato com teorias e o conhecimento dos professores durante o mestrado ajuda muito a caminhar para encontrar soluções para os problemas propostos”.




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