Implementos: Anfir espera queda de 10% em 2015

Vendas no primeiro bimestre recuaram 41%; carretas caíram 56%.

A queda brusca do mercado de veículos comerciais no início de 2015 levou junto para o precipício o que vem atrás deles: os implementos rodoviários. Os cerca de 1,35 mil fabricantes do setor reunidos na Anfir registraram recuo drástico das vendas, de 41% no primeiro bimestre em comparação com o mesmo período de 2014, que já não havia sido bom. Com esse resultado, a entidade espera por nova queda anual dos negócios em torno de 10%, resultado idêntico ao do ano anterior, mas admite que pode ser pior: “Nessa altura mais torcemos do que fazemos previsões, até para evitar notícias negativas que piorem o clima de negócios”, reconhece Alcides Braga, presidente da Anfir. “Só em meados de abril e com a linha de financiamento do BNDES funcionando plenamente teremos mais elementos para julgar como será este ano”, completa.

Os negócios da linha pesada, de reboques e semirreboques, dependentes em 85% das compras do financiamento via PSI/Finame, caíram ainda mais, quase 56%, de 9,5 mil para apenas 4,2 mil unidades, pois nos dois primeiros meses do ano praticamente não houve nenhuma liberação de crédito enquanto se esperava a regulamentação das novas regras do BNDES. Já na linha leve, de carrocerias montadas sobre chassis, o recuo foi menor porque há menos há menos dependência do BNDES, mas o tombo também foi acentuado, de 32%, de 15,4 mil para 10,5 mil encarroçamentos, sob forte impacto da retração econômica vivida pelo País. “Até agora vendemos menos da metade do que fizemos no primeiro bimestre de 2014. O desempenho do setor reflete o desaquecimento geral da economia e não há sinais de que o cenário possa ser revertido no curto prazo”, afirma Braga.

As exportações dos fabricantes de implementos também não ajudaram, continuam quase paradas. Foram embarcadas apenas 107 unidades para mercados externos, em queda de 56,5% sobre o primeiro bimestre de 2014. “Este é um segmento no qual temos de focar mais esforços e buscar novos clientes para aumentar as vendas externas, já que o mercado doméstico não reage. Contudo, leva tempo para transformar essa vontade em números”, pondera Braga.


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Para Braga, no momento faltam interlocutores no governo para levar adiante qualquer política de incentivo ao setor. “Esperamos pelo anúncio das obras do PAC 3, que já sabemos deverá ser mais contido. Também aguardamos pela nomeação da nova diretoria do BNDES para negociar condições de financiamento. Em muitas secretarias (dos ministérios) houve troca de pessoal e alguns projetos deixaram de andar, como é o caso do programa de renovação de frota, que já está pronto mas agora precisa aguardar pela liberação das subvenções necessárias”, elenca.

Demissões e portas fechadas

Braga afirma que não foi possível passar pela baixa persistente das vendas sem fazer demissões. Ele estima que no último ano as empresas associadas tenham cortado cerca de 20% do quadro de funcionários, algo como 15 mil pessoas. “Não deu para esperar o mercado mudar sem cortar custos”, avalia.

O presidente da Anfir também diz que “não dá para imaginar que todos os fabricantes associados consigam passar sem baixas por mais um ano difícil”. A maioria das empresas do setor é composta por empresas médias (70%), que têm dificuldades para se financiar ou dar crédito aos clientes.

Por causa da situação de contração de mercado, Braga avalia que os preços praticados pelos fabricantes de implementos tenham voltado ao mesmo nível de 2010. “Nesse ambiente acontece a erosão dos preços, que estão iguais aos praticados cinco anos atrás.” Mesmo assim as vendas não acontecem. “Estamos com a carteira de pedidos praticamente zerada e grandes fabricantes têm estoque elevado”, afirma, calculando que empresas como Guerra, Randon e Librelato mantêm mais de 2 mil implementos parados nos pátios à espera de compradores.

O dirigente revela que não há muita pressão de custos por parte dos fornecedores ou funcionários. “Os preços da maioria das matérias primas, como aço, estão comportados. A única exceção é o alumínio, que aumenta com a alta da energia elétrica.” Braga diz que também não há demandas salariais, mas lembra que a elevação do imposto previdenciário de 1% para 2,5% sobre o faturamento bruto deve onerar as empresas do setor, que têm fabricação artesanal com alta intensidade de mão de obra.

No quadro atual, Braga conta que a Anfir tem recomendados aos associados “baixar as velas”, reduzindo todos os custos possíveis. “A mensagem é de cautela, de tentar refinanciar despesas, até para evitar carnificinas nos preços.”




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