Intenção de investimento da indústria em 2015 é a menor em 5 anos, diz CNI

Entidade realizou pesquisa no fim de 2014 com 592 empresas industriais.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta quinta-feira (22) que 69,3% das empresas industriais pretendem realizar algum tipo de investimento em 2015, o menor patamar em cinco anos. A pesquisa de investimento na indústria foi realizada entre 4 de novembro e 12 de dezembro do ano passado com 592 empresas do setor.

Entre as empresas que tinham projetos para 2014, menos da metade, 41,4%, realizou os investimentos conforme planejado"

CNI

Segundo a entidade, as incertezas econômicas, a retração da demanda e o custo dos financiamentos diminuíram o ímpeto dos empresários em investirem neste ano.

"A expansão dos projetos privados de investimento exige a construção de um ambiente institucional que combine Estado eficiente, credibilidade da política econômica, regulação de qualidade e segurança jurídica", avaliou a CNI.

Entre as empresas que pretendem investir em 2015, 61,2% informaram que aplicarão os recursos em projetos que já estão em andamento, tendo como principais objetivos a melhoria do processo produtivo, o aumento da capacidade instalada e a introdução de novos produtos no mercado.


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De acordo com a CNI, 90,5% planejam comprar máquinas e equipamentos, ao mesmo tempo em que 57,3% têm a intenção de de comprar máquinas importadas – percentual inferior ao registrado em anos anteriores.

Capacidade ociosa alta e demissões

O chefe da Unidade de Política Econômica da entidade, Flávio Castelo Branco, observou que o Produto Interno Bruto (PIB) da indústria, embora o resultado oficial ainda não tenha sido divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), recuou em 2014.

Para ele, portanto, o setor industrial já está em recessão. Acrescentou que o início deste ano tem sido mais difícil do que o antecipado, o que vai se refletir no desempenho da indústria e no nível de emprego do setor.

"Quando olhamos para os dados mensais, vemos que a capacidade instalada [nível de uso do parque fabril] tem estado abaixo do usual. Quando a capacidade mostra ociosidade, é um desestímulo para o investimento porque o empresário sente que tem capacidade para atender à demanda", avaliou Castelo Branco.

Segundo o economista, o nível de emprego é uma consequência do processo de investimento. "Com a produção estagnada, as perspectivas não são favoráveis. Em 2014, o saldo de empregos na indústria foi negativo. Se tem perspectivas pouco favoráveis para 2015, isso provavelmente se reflete no emprego", declarou.

Mercado interno e externo

O levantamento mostra ainda que apenas 4,9% das empresas informaram que pretendem investir, neste ano, com foco unicamente nas vendas ao exterior. Embora baixo, a CNI observou que este número é o maior desde 2011.

"O percentual de empresas cujos investimentos se concentram total ou principalmente no mercado interno recuou de 79,6% em 2014 para 73,2% em 2015. O número de indústrias que direcionará os investimentos igualmente aos mercado interno e externo aumentou de 14% para 18,8% [na mesma base de comparação]", acrescentou a CNI.

Ano de 2014

De acordo com a pesquisa da Confederação Nacional da Indústria, embora 78,1% das empresas consultadas tenham iniciado o ano passado com intenção de investir, os planos se concretizaram para 71,8% delas. Segundo a entidade, foi o menor percentual de empresas que investiram desde 2009, quando o levantamento começou a ser feito.

"Entre as empresas que tinham projetos para 2014, menos da metade, 41,4%, realizou os investimentos conforme planejado e 9,2% adiaram os planos por tempo indeterminado. Outros 39,8% realizaram parcialmente os projetos. A incerteza econômica, com 72,9% das menções, seguida pela reavaliação da demanda (42%) e pela dificuldade de obtenção de crédito (24,3%) foram os principais motivos para a não realização dos investimentos", informou a CNI.

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