IPT e CBMM vão desenvolver tecnologia de produção de neodímio metálico

O neodímio metálico é a matéria-prima para superímãs de terras-raras empregados na indústria de alta tecnologia, de motores elétricos e turbinas eólicas.

O IPT e a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) assinaram na terça-feira, 11 de novembro, um convênio para desenvolvimento de tecnologia de obtenção de neodímio metálico, matéria-prima para superímãs de terras-raras empregados na indústria de alta tecnologia, de motores elétricos e turbinas eólicas. O acordo, no valor de R$ 9,5 milhões, dá-se no âmbito da Associação Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e tem duração de dois anos. A assinatura do contrato aconteceu durante a realização do workshop 'Terras-Raras: Novas Perspectivas para a Cadeia Produtiva no Brasil", realizado no campus do IPT em São Paulo.

A CBMM dispõe de planta-piloto para concentração de terras-raras a partir de reservas na cidade de Araxá (MG), onde mantém suas operações de produção de nióbio. A companhia também já domina o processo de separação de óxidos de terras-raras. Equipes do Centro de Tecnologia em Metalurgia e Materiais do IPT e da companhia trabalharão em conjunto na terceira etapa da cadeia, que é a da redução do óxido de neodímio em metal. Segundo o diretor-presidente do IPT, Fernando Landgraf, essa é a única escala da cadeia produtiva dos superímãs de terras-raras ainda não trabalhada no Brasil. Na outra ponta, há experiência concentrada principalmente em universidades e centros de pesquisa na produção dos magnetos, além de fabricantes de motores elétricos e de geradores eólicos instalados no País.


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“Os superímãs de terras-raras são estudados há 30 anos no Brasil. Na década de 1990, todas as expectativas da comunidade acadêmica foram frustradas com o domínio total da China sobre o mercado”, lembrou Landgraf durante a cerimônia de assinatura do contrato. “Nos últimos anos, venho insistindo que o avanço da cadeia produtiva nacional só iria ocorrer quando uma das empresas detentoras de reservas de terras-raras investisse na transformação do minério em material comercialmente atrativo. E o fato de a CBMM hoje assumir esse risco é realmente um marco”.

O presidente da CBMM, Tadeu Carneiro, comparou os desafios da companhia neste projeto com o do desenvolvimento do mercado do nióbio, há 60 anos. Naquele momento, disse o executivo, não havia nem aplicações, nem mercado para o nióbio, que foi praticamente criado pela empresa, hoje a maior fabricante mundial do metal. “No caso das terras-raras, esses fatores não são problema. Mas temos outro desafio que é o de desenvolver tecnologia. É tão importante por isso o esforço que esse convênio irá produzir”, destacou.

Terras-Raras

Assim é conhecido o conjunto de 17 elementos químicos utilizados para aplicação em alta tecnologia, como a dos ímãs que transformam energia elétrica em energia mecânica e em produtos como notebooks, telefones celulares, trens-bala, fibras óticas, painéis solares, geradores eólicos, entre outros equipamentos. Além do neodímio, os demais minerais são: lantânio, cério, praseodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, túlio, itérbio, escândio e lutécio.

Os elementos de terras-raras sempre aparecem em conjunto na natureza. No Brasil, a ocorrência se dá principalmente na monazita. A cadeia produtiva dos materiais é longa. A primeira etapa consiste na concentração da monazita, de forma a separá-la de outros minerais. A segunda fase, de separação, permite chegar aos óxidos de terras-raras. Depois, ainda é necessário obter o metal a partir do óxido. A etapa seguinte é de produção do superímã que será utilizado pela indústria. O Brasil é tido como detentor da segunda maior reserva de terras-raras do mundo, com estimados 16% de participação mundial, de acordo com o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Não há, entretanto, produção em escala comercial dos 17 elementos de terras-raras no país.

Financiamento

Do valor total do convênio, um terço virá da Embrapii, com base em repasse de recursos pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCTI) para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), e mais um terço de responsabilidade da CBMM, o que totaliza dois terços de recursos financeiros não-reembolsáveis. O IPT aportará o terço restante como contrapartida provinda do Governo do Estado de São Paulo, o que envolve infraestrutura, equipamentos e suporte administrativo do Instituto.




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