Jaguar Land Rover começa obras no Rio

Onze meses depois do anúncio oficial do projeto, a Jaguar Land Rover deu o pontapé inicial nas obras da fábrica de R$ 750 milhões que será erguida pela montadora britânica em Itatiaia, no sul do Rio de Janeiro. Os trabalhos de preparação do terreno - ou seja, a fase de terraplenagem - tiveram início nesta semana para que a fábrica comece a ser construída entre o fim deste ano ou, no mais tardar, nos primeiros meses de 2015.

Se tudo sair como prevê o cronograma da empresa, os primeiros veículos vão sair das linhas de produção em 2016. Segundo apurou o Valor, dois utilitários esportivos - ou SUVs, como esse tipo de veículo também é conhecido na sigla em inglês - serão montados no local. Primeiro, o Discovery Sport, o SUV compacto apresentado ao mundo no início deste mês durante o salão do automóvel de Paris. Depois, a nova geração do Evoque, da família Range Rover, junta-se à linha de produção, conforme previsto no projeto industrial apresentado ao governo para habilitação no Inovar-Auto - o regime automotivo brasileiro que concede benefícios fiscais a investimentos em novas fábricas de automóveis no país.

A montadora não se manifesta sobre o que vai ser montado na fábrica brasileira, a primeira da Land Rover nas Américas e única controlada totalmente por ela fora da Inglaterra. Mas a expectativa é que pelo menos a produção local do Discovery seja confirmada na semana que vem, durante o salão do automóvel de São Paulo.

Os dois modelos escolhidos indicam que a montadora controlada pelo grupo indiano Tata busca escala para ocupar ao máximo possível a capacidade de produção de 24 mil carros por ano da futura fábrica. Enquanto o Discovery Sport chega como a opção de entrada da marca, o Evoque é responsável por mais de 60% das vendas da Land Rover no país.

Segundo apurou o Valor, a ideia inicial era começar as operações com o Evoque, mas o plano mudou com a possibilidade de oferecer um modelo "mais acessível" aos consumidores brasileiros. Sucessor do Freelander - o carro de entrada da Land Rover, com preços que partem de R$ 165,1 mil -, o Discovery passou a ser então a primeira opção para a estreia em Itatiaia, adiando o início da produção do Evoque, que custa mais de R$ 195,8 mil.


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Os dois carros estão inseridos num segmento do mercado que cresce mesmo em momentos de crise, como o vivido hoje pelas montadoras brasileiras. Levantamento da consultoria Jato Dynamics mostra que nos últimos dez anos a participação dos SUVs no mercado nacional de automóveis e utilitários leves passou de 3% para 7,7%. Esse crescimento, diz a Jato, se deve à combinação de desenvolvimento econômico - que levou à ascensão da renda - com a chegada de novos modelos e mudanças no perfil do consumidor.

Conforme o estudo, mais de 30 modelos foram lançados no segmento nos últimos cinco anos. Em 2014, na contramão da queda próxima de 9% do consumo de carros no país, os licenciamentos de utilitários esportivos sobe 6% (veja o gráfico).

Por números como esses, todas as marcas do segmento de luxo que anunciaram investimentos em fábricas no Brasil vão produzir SUVs no país. Puxando a fila, a BMW deve iniciar já no mês que vem a montagem do utilitário esportivo X1 na fábrica recém-inaugurada em Araquari, no norte de Santa Catarina. No ano que vem, o X3, outro SUV da BMW, também será produzido no local.

Carros do tipo também serão produzidos pela Audi - com a montagem do Q3 prevista para o primeiro semestre de 2016 no Paraná - e pela Mercedes-Benz, que já iniciou a terraplenagem no terreno da fábrica de automóveis a ser erguida em Iracemápolis, no interior paulista - onde, além do sedã Classe C, serão produzidos SUVs do modelo GLA. A nacionalização de utilitários esportivos também está nos planos da Honda, que estuda montar o Vezel no país, e da chinesa Chery.

Mas, apesar do bom momento desse mercado, as vendas da Land Rover caem mais de 12% neste ano, mesmo com as cotas liberadas pelo governo que dão à marca o direito de importar 10,8 mil carros por ano sem a sobretaxa de 30 pontos percentuais do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), aplicada há três anos nas vendas de veículos importados.




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