Albras aumenta vendas no Brasil

Com a indústria brasileira do alumínio primário em forte contração, a Albras está deixando de exportar uma parte da produção do insumo para elevar suas vendas ao mercado interno. Única fabricante que ainda não fez corte de produção no país, a empresa tem capacidade para produzir 460 mil toneladas em Barcarena (PA).

Controlada pela norueguesa Norsk Hydro, com 51% do capital, e pela japonesa Nippon Amazon Aluminium Company (NAAC), com 49%, a Albras já elevou em 64% suas vendas de alumínio primário para o mercado interno até setembro deste ano. Considerando o período de doze meses, estima que irá destinar 140 mil toneladas aos clientes locais, 61% mais do que as 87 mil toneladas em 2013, segundo Alberto Fabrini Jr., vice presidente global da empresa e responsável no mundo pela divisão de Bauxita e Alumina.

Com o aumento do volume destinado ao Brasil, a Hydro aproveita o espaço deixado no mercado por Alcoa, BHP Billiton e Votorantim Metais, que vêm cortando linhas de produção desde o ano passado. Segundo Fabrini, único executivo não europeu no conselho da Hydro, não existe a intenção de cortar linhas de produção. Uma redução de volume neste ano, porém, pode ser decorrente de ajustes internos.

"Somos uma empresa de alumínio", afirmou Fabrini sobre a possibilidade de comercializar energia ao mercado. Alcoa e BHP Billiton, que fecharam fornos na Alumar, em São Luis (MA), e a Votorantim Metais, em Alumínio (SP), estão aproveitando a redução da produção para colocar no mercado energia própria que possuem. O abastecimento da Albras, que consome cerca de 800 MW, está contratado com a Eletronorte até 2024.

Dessa forma, com a redução da produção total de alumínio primário no Brasil, a Albras deve elevar sua participação para perto de 50% do total neste ano. Em 2013, a companhia produziu 35% do volume do país - 452 mil toneladas de um total de 1,3 milhão, segundo a Associação Brasileira do Alumínio (Abal). Na projeção da Abal, o país produzirá 952 mil toneladas neste ano, 27% menos do que em 2013 e 43% menos do que em 2008.


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Do total do alumínio da Albras, a parte da NAAC - cerca de 220 mil toneladas - é levada para o Japão. Até o momento, a NAAC continua interessada em manter os embarques, o que sempre foi seu objetivo com a operação.

Apesar do preço baixo do alumínio no mercado, os altos prêmios no Brasil favorecem a operação. Quando os cortes de produção começaram a se acentuar, em meados do ano passado, a falta do insumo fez com que o preço pago sobre o valor da bolsa de metais de Londres (LME) subisse. Segundo fontes do mercado, chegou a superar US$ 700 por tonelada e está em torno de US$ 550 por tonelada sobre os US$ 1.950 da LME.

Além da garantia do fornecimento de energia por nove anos, a Albras tem tranquilidade em relação ao suprimento da matéria-prima, com 27,9 milhões de toneladas de bauxita. "Temos a visão de que a bauxita será o gargalo do setor no mundo", afirma Fabrini. Neste ano, a Indonésia, importante produtor global, deixou de exportar o minério, o que já deixou o mercado global apertado.

A companhia utiliza a alumina da Alunorte, na qual a Hydro tem 90,1% do capital, e mantém o plano de expansão com o projeto da CAP, de 7,4 milhões de toneladas. Maior refinaria do mundo até o momento, a Alunorte produz 6,3 milhões de toneladas em Barcarena. É suprida pela bauxita da própria companhia, sendo 9,9 milhões de toneladas da Paragominas, transportada a um custo baixo por um mineroduto de 244 km. Outra parte vem das 18 milhões de toneladas da Mineração Rio do Norte, em Oriximiná (PA). A Hydro retira volume relativo aos 5% que têm do capital da MRN e aos 40% da Vale, garantidos à norueguesa em um acordo comercial.

No Brasil, a Hydro está também na ponta da cadeia do alumínio com participação de 50% na Sapa, que faz extrudados em Itu (SP).

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