Volvo faz renovação de linhas inédita no Brasil

Em meio a um mercado que acumula queda próxima de 14% neste ano, a Volvo está fazendo a maior renovação de sua linha de caminhões desde que iniciou as operações industriais no Brasil há três décadas. A nova geração dos caminhões mais pesados da marca sueca chegam às concessionárias em janeiro, após um programa de expansão e modernização da fábrica de Curitiba (PR) que consumiu boa parte - a empresa não discrimina quanto - dos investimentos de US$ 500 milhões anunciados há dois anos.

Os modelos de transporte de cargas pesadas FH e FM, junto com os fora-de-estrada FMX - usados, por exemplo, nos trabalhos em pedreiras, canaviais e minas - foram renovados com ampliação no espaço interno das cabines, motores mais potentes e, em linha com a revolução digital da indústria de veículos comerciais, avanços na conectividade. Eles se somam à nova geração de semipesados da Volvo lançada no ano passado. É a grande aposta da empresa para continuar ganhando espaço mesmo em tempos de dificuldades, como este ano.

Até chegar à produção desses modelos, o parque industrial da empresa na capital paranaense passou por processo de adaptação que incluiu desde a maior automação das linhas de pintura e estampagem, com a instalação de novos equipamentos e robôs, à expansão da capacidade produtiva. Nos últimos cinco anos, a marca também aumentou a rede de concessionárias - 23 lojas foram abertas, chegando-se a 100 pontos de vendas -, assim como desenvolveu fornecedores domésticos para que os novos produtos, apesar do maior nível tecnológico, atendam às exigências crescentes de nacionalização do novo regime automotivo.

"Construímos a infraestrutura, investimos pesado no desenvolvimento dos produtos, localizamos e treinamos vendedores e mecânicos. Agora estamos prontos", diz Roger Alm, presidente da Volvo na América Latina. Paralelamente à renovação inédita da linha, o grupo começou a estudar a introdução no Brasil de uma segunda marca do portfólio global para disputar os mercados de caminhões leves e médios. Alm, contudo, garante que ainda não há uma definição sobre isso.


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Apesar do momento negativo do setor, a Volvo, ainda no embalo do lançamento da nova família de caminhões semipesados, tem perdido menos vendas do que a concorrência e, por isso, ganhou participação de mercado neste ano. Entre janeiro e setembro, a montadora sueca superou a Ford e se tornou a terceira marca de caminhão mais vendida do país.

Quando se considera apenas o segmento onde atua - das carretas com mais de 16 toneladas -, a Volvo está a apenas 311 caminhões da segunda colocada MAN, embora seu objetivo, como já declarado, seja superar a Mercedes-Benz e se tornar líder nessa faixa do mercado. Nos nove primeiros meses do ano, todavia, os suecos ficaram 2,7 mil caminhões atrás dos alemães da Mercedes.

Mas isso não significa que a Volvo esteve imune à crise. Entre maio e junho, a empresa deu três semanas de férias coletivas a cerca de 400 operários da linha de caminhões semipesados em Curitiba. Suas vendas caem quase 7% neste ano, segundo dados da Fenabrave, a entidade que representa as concessionárias de veículos. Alm estima que o mercado onde a Volvo está inserida fechará o ano com vendas ao redor das 90 mil unidades, após fechar 2013 com 103,8 mil caminhões licenciados.

Apesar disso, o executivo mantém a confiança na recuperação da indústria de veículos pesados nos próximos anos. "Os mercados sobem e descem, mas nós continuaremos aqui", diz.


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