Fábricas de motos usam tática das montadoras

Empresas reduzem produção com semana curta e jornadas diárias menores.

Manaus adotam medidas para reduzir a produção em razão da queda nas vendas. “Algumas reduzem os dias trabalhados, dando folga na segunda ou sexta-feira. Outras diminuem a jornada diária”, afirma Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo, entidade que reúne fabricantes instaladas em Manaus. 

As férias coletivas também são um recurso. Segundo o executivo, os 20 mil postos de trabalho existentes no ano de 2011 (o melhor da história do setor) recuaram para 18 mil. O mercado encolheu ainda mais. Dos quase 2 milhões de motos emplacadas naquele ano, o Brasil terá o terceiro ano consecutivo de queda e a previsão de 1,44 milhão de unidades até o fim de 2014, cerca de 500 mil motos a menos ou retração de 25,8%. 

A dificuldade dos motociclistas em obter crédito ainda afeta o setor. Em 2011, segundo a Abraciclo, as vendas financiadas passaram de 1 milhão de motos e este ano elas devem fechar em 525 mil unidades, de acordo com a projeção da entidade. Já a soma das transações à vista e consórcios se manteve praticamente estável nesse período. Foram 931,4 mil unidades em 2011 e devem terminar 2014 com 915 mil. 

Fermanian atribui a manutenção da seletividade dos bancos à piora do cenário macroeconômico. “As mudanças nas regras para financiamento resultaram em redução de juros, mas a seletividade (dos bancos) continua alta”, diz Fermanian. 

Ele acredita que as próximas alterações, que facilitarão a retomada do bem em caso de inadimplência, também vão beneficiar o setor: “Pleiteamos isso em conjunto com a Anfavea e agentes financeiros porque a forma atual inviabiliza a retomada quando se levam em conta a deterioração do bem e os gastos cartoriais”, conclui Fermanian.




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