GM vai investir cerca de R$ 3 bi, diz sindicato


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A General Motors (GM) vai investir, pelo menos, 50% dos R$ 6,5 bilhões que aplicará em suas fábricas no Brasil na unidade de São Caetano, cerca de R$ 3 bilhões, a partir de 2015, garantiu o presidente licenciado do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão. No entanto, informou o sindicalista, a empresa abriu PDV (Programa de Demissão Voluntária) na última quarta-feira (1), pois pretende dispensar cerca de 50 funcionários depois das eleições, realizadas no domingo.

Cidão revelou que participou de reunião, na segunda-feira, com o presidente da GM para a América do Sul, Jaime Ardila. Na ocasião, o executivo apresentou a intenção da companhia e também sinalizou a dispensa dos funcionários neste ano, principalmente pelo alto nível de estoque que a fábrica teria, disse o presidente do sindicato.

“O motivo é (queda na) venda. O parque está abarrotado de carros. Não tem mais lugar para pôr unidades. As concessionárias não estão absorvendo. Só de Cobalt, estão falando na fábrica que 70 mil estão no estoque. Só de Cobalt! O normal seria o estoque de 5.000 ou 10 mil, no máximo. Os 70 mil equivalem a dois meses de produção, período que a empresa ficaria parada e não afetaria nada”, explicou Cidão.

Ontem à tarde, o sindicato reuniu os trabalhadores na porta da fábrica e realizou assembleia para informar sobre o atual cenário da companhia.

A GM confirmou que abriu o PDV e que manterá o programa até segunda-feira, sem divulgar detalhes sobre valores ou número de trabalhadores que quer atingir. Questionada em relação ao direcionamento do investimento e ao suposto elevado estoque, a montadora preferiu não se posicionar.

Cidão acrescentou ainda que as demissões completarão cerca de 200 desligamentos, que a empresa teria iniciado no fim da Copa do Mundo. “Era para ser 600. Eles queriam fechar o terceiro turno (da 0h12 às 6h10). Mas nós brigamos para que isso não ocorresse. Serão cortados mais 30 a 50, não terá jeito”, explicou.


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Comparação

O sindicalista destacou também que, mesmo com o investimento que teve conhecimento, em torno de R$ 3 bilhões, a situação da unidade da GM de São Caetano, com cerca de 11,5 mil operários, pode ser alvo de mais demissões pela menor competitividade com concorrentes, no que diz respeito aos custos do número de funcionários por carro produzido.

Cidão garantiu que, em pleno vapor, cerca de 1.300 veículos são fabricados por dia, e comparou com a produção da Hyundai, de Piracicaba, que estava próxima a isso com 76% menos de trabalhadores diretos.

Segundo a Hyundai, sua única unidade brasileira tem capacidade de produzir 180 mil HB20 por ano e tem 2.700 trabalhadores. A empresa não confirmou se os funcionários atuam de sábado e domingo. Mas, considerando cinco dias por semana, o potencial diário seria de 750 automóveis.




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