ArcelorMittal: mais de US$ 350 mi no setor

A ArcelorMittal, uma das maiores empresas de siderurgia e mineração do mundo, com presença em mais de 60 países, mais de 230 mil empregados, e lucro líquido de US$ 80 bilhões em 2013 (US$ 16 bi no Brasil), tem apostado cada vez mais forte no setor automotivo para fazer de seu produto, o aço, uma das matérias-primas mais requisitadas. Nas palavras do CEO para as Américas, Lou Schorsch, esta indústria é muito importante para a companhia, “como uma jóia da coroa” capaz de gerar cada vez mais negócios. 

A ArcelorMittal produziu 13 milhões de toneladas de aço no ano passado para um mercado global de 83 milhões de veículos. Atualmente, 33% do seu orçamento mundial, de US$ 270 milhões, são aplicados em pesquisa e desenvolvimento de novos aços, em especial de alta resistência. Volume que tende a crescer nos próximos anos. 

Somente nos últimos doze meses, segundo o executivo, o aporte anunciado para o segmento automotivo, incluindo expansão de unidades existentes, ultrapassou US$ 350 milhões, sendo US$ 175 milhões na região do Nafta, US$ 120 milhões na União Europeia e US$ 75 milhões somente no Brasil. 


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O aumento do investimento global no aço de alta resistência, que também é mais leve, se dá ao passo que as fabricantes de veículos têm de reduzir o peso de seus carros a fim de diminuir o consumo de combustível e, consequentemente, as emissões. A participação da matéria-prima em um veículo, segundo cálculos da ArcelorMittal, chega a ser de 57% em média. Está bem acima do ferro, com 8%; do aluminío, com 9%; e de plásticos e de outros materiais, que juntos somam uma fatia de 22%. 

“Nós temos competido pelas aplicações, para produzir em escala o que os clientes necessitam. Desenvolvemos inovações para manter o aço como material a ser escolhido pelas montadoras. O aço tem muito potencial contínuo de evolução e de redução de peso. Já chega a sua terceira geração. E uma de suas principais vantagens é a de ser o produto mais reciclável do mundo”, comenta Schorsch. 

O CEO elenca cinco estratégias principais de atuação da ArcelorMittal no setor automotivo: “Continuar a oferecer alto nível de serviço e qualidade em mercados chaves; desenvolver e produzir aços de alta resistência que permitam as montadoras diminuir os pesos dos veículos sem precisar utilizar outros materiais alternativos; encontrar meios economicamente mais atrativos para acompanhar os investimentos das montadoras em mercados emergentes; continuar as parcerias com fornecedores que nos ajudam a desenvolver produtos inovadores; além de alavancar e fortalecer a nossa posição no fornecimento de aço automotivo a fim de aumentar nossos volumes e garantir valor agregado aos nossos produtos.” 

Os maiores consumidores atualmente da ArcelorMittal são Estados Unidos e Europa, com 40% e 45% da sua produção, respectivamente. O desafio agora é crescer a passos mais largos em mercados emergentes, como China, Índia, Rússia e Brasil, que junto as outros países ficam com o restante de 15% do total de aço fabricado. “Imagine quanto desafiador é nosso papel. Somos uma companhia global que tem de fazer os mesmos produtos para mercados com regulamentações diferentes. As emissões de CO2 variam muito de um país para o outro.” 

Os principais clientes de aços da ArcelorMittal para fabricação de veículos leves são Renault, Nissan, BMW, Mini, Rolls-Royce, Toyota, GM, Chrysler, Ford, PSA Peugeot Citroën, Volkswagen, Hyundai, Kia, Mercedes-Benz, Tata, Jaguar, Land Rover, Volvo, Seat, Skoda, Audi, Honda, Bentley, entre outros. No setor de veículos pesados, entre as marcas atendidas estão DAF, MAN, Scania, Renault Trucks e Volvo. Também são clientes fabricantes de autopeças como Faurecia, Magna e Benteler, além de empresas de estapagem, como Lapple, Bamesa, Kirchhoff, Gonvarri e Allgaier. 

Brasil 

Apesar de a retração ecônomica ter repercutido em uma queda de 18% até agosto deste ano na produção de autoveículos no Brasil, a ArcelorMittal mantém inalterados seus planos para o País, que recebeu anúncios de investimentos de US$ 75 milhões nos últimos doze meses. A garantia é do CEO Lou Schorsch: “O Brasil é um mercado muito importante para ArcelorMittal mesmo que sua economia esteja em período de recessão. Continuamos otimistas e comprometidos com os nossos investimentos, pois vão gerar resultados muito importantes a longo prazo.” 

Do montante de US$ 75 milhões, segundo o executivo, US$ 15 milhões estão sendo investidos na planta de Vega, na cidade de São Francisco do Sul (SC), para fabricação do aço de alta resistência Usibor desenvolvido pela Arcelor especificamente para a indústria automobilística. A previsão é de que o material comece a ser produzido no primeiro trimestre de 2015. Em 2011, quando a empresa passou a importá-lo da Europa, foram trazidas mil toneladas. Este ano, a previsão é de 12 a 13 mil toneladas. A partir de 2016, deverão ser fabricadas no Brasil 100 mil toneladas do Usibor por ano. 

Para a mesma unidade de Santa Catarina também estão sendo aplicados mais US$ 17 milhões no projeto Vega Light, que consiste em aumentar a capacidade de produção de laminados a frio, de 1,4 milhões de toneladas ano para 1,6 milhões de toneladas a partir do primeiro semestre de 2015, além de preparar a unidade para futuras expansões. 

Os cerca de US$ 40 milhões restantes, ainda em fase final de liberação, serão injetados na unidade de Sabará (MG) para o aumento de produção para 45 mil barras por ano, as quais seguem para a laminação na unidade de Vega. 

Schorsch diz que novos investimentos estão sendo analisados para ampliação da produção de laminados a quente, de 4,2 milhões para 4,6 milhões de toneladas por ano, na usina de Tubarão (ES), que opera atualmente com três fornos. Mas não revela o valor do aporte e nem quando passará ser usado. 

Novas tecnologias

Para ganhar participação no setor automotivo, a ArcelorMittal trabalha constantemente com novas tecnologias. Atualmente, cerca de 80 novos tipos de aços estão sendo desenvolvidos muitos anos antes de serem produzidos. 

Greg Ludkovsky, vice-presidente global de pesquisa e desenvolvimento, conta que a empresa mantém cinco centros de P&D ao redor do mundo para atender exclusivamente o setor automotivo, sendo três na França, um nos Estados Unidos e outro no Canadá. Neles, aproximadamente 565 pessoas trabalham no desenvolvimento de novos aços, análises das propriedades, definições de soluções anti-corrosivas, entre outros processos. “Nós ajudamos as montadoras a desenvolverem veículos mais seguros, leves e limpos. Esta é a nossa preocupação desde o início de um projeto.” 

A Volkswagen uma das empresas clientes, segundo Ludkovsky, diz que o aço Usibor é até seis vezes mais resistente do que o convencional. A montadora tem substituido o alumínio pelo aço para reduzir custos. Usou o aço Usibor para a produção do Golf de sétima geração, por exemplo. A Volvo, em declaração também apontada pelo vice-presidente, acredita ter encontrado a equação perfeita entre segurança e redução de peso com o Usibor. 

No Brasil, segundo Marcelo Federici, especialista em desenvolvimento de projeto automotivo da ArcelorMittal, todas as montadoras instaladas têm demonstrado interesse em utilizar o Usibor, principalmente nas partes críticas da carroceria. “As empresas que ainda não decidiram pelo material no Brasil já o utilizam na Europa e nos Estados Unidos e, em questão de tempo, vão passar a usá-lo aqui.” 

As quatro maiores montadoras no mercado brasileiro (GM, Fiat, Ford e Volkswagen) já têm projetos com o aço de alta resistência. Duas empresas de autopeças instaladas no País também já são clientes. E outras estão em negociação. O Ford Ecosport e o Volkswagen Up! são exemplos de veículos disponíveis no mercado que foram concebidos com o Usibor e avaliados com nota máxima em crash test do Latin NCAP em 2013. 

O Usibor faz parte do conjunto de soluções desenvolvidas pela ArcelorMittal, denominado S-in Motion, que permite às montadoras reduzir em até 20% do peso do veículo, além de diminuir em cerca de 15% as emissões de CO₂ durante a produção e vida útil do veículo. A ArcelorMittal prevê um aumento dos atuais 6% para 25% de utilização de aços de alta resistência nos veículos brasileiros até 2025, acompanhando a tendência da indústria automotiva global.




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