Fabricantes de máquinas agrícolas preveem vendas estáveis em 2015

Depois da acentuada retração das vendas domésticas de máquinas agrícolas neste ano em comparação com o forte desempenho de 2013, duas das principais fabricantes do setor com operações o Brasil, as americanas John Deere e AGCO, informaram nesta terça-feira, durante a Expointer, em Esteio (RS), que esperam uma estabilização do mercado em 2015.

A projeção leva em conta um cenário de manutenção da lucratividade dos produtores - ainda que em menor grau devido à desaceleração dos preços das commodities - e de expansão da oferta de crédito com a esperada revitalização do programa Moderfrota, destinado à modernização da frota de tratores, colheitadeiras e implementos no país.

“Devemos manter os mesmo volumes de 2014 porque não há nada que indique que 2015 será pior. Talvez haja até um pequeno aumento da renda no campo”, disse Jak Torretta, diretor de produtos da AGCO, dona das marcas Massey Ferguson e Valtra.

Segundo o diretor de vendas da John Deere Brasil, Rodrigo Junqueira, além do reforço do Moderfrota, a tendência de crescimento da área plantada de soja sobre pastagens ou mesmo sobre lavouras de milho também deve ajudar. “Mas a grande curiosidade é sobre [como ficarão] as taxas de juros”, comentou.

No acumulado até julho, as vendas internas totais de tratores de rodas caíram 16,6% neste ano ante igual período de 2013, para 32,2 mil unidades, enquanto nas colheitadeiras a retração foi de 24,7%, para 3,3 mil máquinas, conforme a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A John Deere teve queda de 18% em tratores e de 13,2% em colheitadeiras, para 6,8 mil e 1,5 mil unidades, respectivamente, mas Junqueira não quis fazer previsões para o fechamento do ano.

Os planos de investimentos da companhia, entretanto, estão mantidos, afirmou o executivo. A fábrica da John Deere em Montenegro, que produz tratores com até 220 cavalos de potência, lançará modelos maiores, com até 340 cavalos, no segundo semestre de 2015.


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Conforme Junqueira, a expansão é fruto do investimento de. US$ 40 milhões na planta, anunciado em setembro de 2013. A companhia também está investindo outros US$ 40 milhões na ampliação da fábrica de pulverizadores em Catalão (GO) e US$ 13 milhões na expansão do centro de distribuição de peças em Campinas (SP).

Para a AGCO, o mercado brasileiro deve cair entre 15% e 18% no segmento de tratores e de 20% a 23% em colheitadeiras neste ano ante 2013. Até julho, as duas marcas da empresa, somadas, registraram queda de 14,9% nas vendas de tratores de rodas, para 15,1 mil unidades, e de 23,1% no segmento de colheitadeiras, para 499 máquinas, sempre em comparação com o mesmo período do ano passado.

Conforme Torretta, entretanto, a virada do mercado de tratores em direção a modelos de menor potência, na faixa entre 50 e 150 cavalos, resultado, entre outros fatores, do maior rigor dos bancos na liberação de financiamentos, contribuiu para a leve recuperação apresentada em julho pela Massey Ferguson, mais focada no segmento. Na comparação com o mesmo mês de 2013, as vendas de tratores da marca evoluíram 2,3%, para quase 1,5 mil unidades.




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