Governo aposta em leve recuperação da produção industrial de 0,5% em julho

Zeina, da XP, diz que a produção brasileira cresce a ritmo muito mais lento do que a de outras nações, abrindo um "gap".

A equipe econômica do governo já vê sinais de uma ligeira recuperação da produção industrial no início do terceiro trimestre ao estimar crescimento um pouco acima de 0,5% em julho na comparação com o mês anterior, considerando a série com ajuste sazonal. Em junho, a queda foi de 1,4% ante maio. Uma melhora na produção industrial dá certo alívio aos técnicos da área econômica, pois a avaliação é de que ajudaria no resgate da confiança dos brasileiros.

Economistas ouvidos pelo Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, também trabalham com o cenário de que a produção industrial terá uma leve melhora em julho na comparação mensal - as estimativas variam de aumento de 0,5% a 1%. Mas, o entendimento é de que ainda é cedo para dizer que o resultado de julho representa uma tendência positiva para os próximos meses. Junho foi um mês fraco para o setor e diretamente impactado pelo número menor de dias úteis por causa dos jogos da Copa do Mundo.

O técnico da área econômica elencou indicadores que em julho tiveram um desempenho melhor do que no mês anterior. Um deles é a movimentação de veículos pesados nas rodovias com pedágios, que registrou um aumento de 3,2% no período, considerando a série com ajuste sazonal.

Também foi destacada a elevação de 15,6% da produção de veículos leves em julho ante junho. Se considerada a produção de veículos como um todo - automóveis de passeio, utilitários, caminhões e ônibus -, a produção sobe 17% ante junho, segundo balanço divulgado pela Anfavea, a entidade que abriga as montadoras instaladas no país. Por outro lado, na comparação entre julho deste ano e de 2013, houve uma baixa de 20,5%.

Outro aspecto também ressaltado foi o desempenho da expedição de chapas, placas e acessórios de papel ondulado, que apresentou alta de 11,11% em julho na comparação com junho, que foi um mês bastante fraco.


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Segundo o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luis Otávio Leal, a previsão preliminar do governo está em linha com o que está sendo esperado pelo mercado. Ele, por exemplo, estima um aumento de 0,6% da produção industrial em julho ante junho. "É preciso considerar que junho foi um mês ruim, mas não dá para dizer que é uma recuperação. Em relação a julho do ano passado, a produção industrial deve ter uma queda de 3,5%", complementou Leal.

Ele ressaltou ainda que, dado o pessimismo grande no setor empresarial e a realização das eleições presidenciais, a indústria vai postergar investimentos, o que atrapalha um melhor desempenho da produção industrial e, consequentemente, do crescimento da economia brasileira. A previsão de Leal é que o PIB brasileiro registre uma expansão de apenas 0,6% neste ano.

A economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, concorda: "Mesmo que venha um número no campo positivo, ele vem de uma base baixa". Zeina disse que no passado as previsões apontavam para uma estabilidade da produção industrial no ano como todo. Mas, com o pessimismo existente hoje, o retrato, conforme a economista, é de queda. Ela destacou que a produção industrial no Brasil está crescendo num ritmo muito mais lento do que outras economias, ou seja, está se abrindo um "gap" na comparação com outras nações. A preocupação é que uma parada da indústria implique em investimentos ainda menores.

O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com analistas financeiros, mostra que o mercado projeta uma queda de 1,53% da produção industrial neste ano e aumento de 1,70% em 2015. Para o desempenho da economia, a estimativa é de crescimento de 0,81% do PIB em 2014 e de 1,20% em 2015.

Na semana passada, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, havia frisado que a "a economia brasileira deve apresentar um comportamento melhor no segundo semestre". Na ocasião, ele comemorava a desaceleração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em julho para 0,01% ante 0,40% em junho.




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