Gerdau revê plano de investimento

Companhia reduz plano de investimento na América Latina.

Depois dos sinais contrários emitidos no segundo trimestre, com crescimento das vendas nos Estados Unidos e Europa e retração no Brasil e na América Latina, e diante de um cenário nebuloso para o resto do ano, a Gerdau colocou o pé no freio. O plano de investimentos do grupo em modernização e expansão de capacidade em 2014, até então de R$ 2,9 bilhões, foi reduzido para R$ 2,4 bilhões e deve se manter no mesmo patamar em 2015. Em 2013 a cifra havia alcançado R$ 2,6 bilhões.

As novas projeções foram apresentadas nesta quarta-feira (30), em teleconferências sobre o desempenho do segundo trimestre, pelo diretor-presidente, André Gerdau Johannpeter, e pelo vice-presidente e diretor de relações com investidores, Andre Pires de Oliveira Dias. Ambos expressaram a dificuldade de fazer previsões precisas para o segundo semestre, especialmente em relação ao mercado interno.

"Com isso é prudente trabalhar com foco na geração de caixa e reduzir um pouco o ritmo de desembolso", disse Dias. Ele afirmou que não houve cancelamento ou paralisação de projetos. "É só o ritmo que estamos segurando um pouco até que a gente consiga ter uma visibilidade maior." Conforme o executivo, a projeção de aportes para 2015 é "uma primeira avaliação".

Johannpeter afirmou que os desembolsos seguirão a proporção original de 65% no Brasil e 35% no exterior, mas o destaque foi dado a projetos fora do país: ampliações e modernizações em usinas nos Estados Unidos (Texas, Michigan e Minnesota) e a nova unidade no México, que coloca a aciaria em operação no quarto trimestre deste ano e o laminador de aço para construção metálica e industrial no primeiro semestre de 2015.

Por enquanto, segundo o diretor-presidente, as perspectivas para o segundo semestre são de melhor desempenho nas economias desenvolvidas e de menor crescimento nos mercados emergentes, com exceção da China e Índia. O cenário, porém, inclui complicadores como a pressão do excesso de capacidade instalada no mundo sobre as margens, a disparada das importações de aço chinês no Brasil e na América Latina e o efeito dos conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia sobre o comércio global de produtos siderúrgicos.


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No Brasil, o desempenho do segundo trimestre foi afetado pela queda da demanda por aços especiais e para construção. As vendas internas e exportações de veículos para a Argentina, assim como a produção de máquinas agrícolas (que usam aços especiais) caíram, enquanto o lançamento e a comercialização de imóveis novos recuaram devido à Copa do Mundo. Com isso, os estoques aumentaram em toda a cadeia produtiva e para diminuir, precisam de "tempo, crédito e confiança do consumidor", disse Johannpeter.

Na semana passada o grupo anunciou o fechamento da laminação de aços especiais em Sorocaba (SP), que está "obsoleta", e a transferência da produção (equivalente a menos de 1% do volume total no segmento) para outras unidades. Segundo o diretor presidente, a Gerdau não prevê desativar outras unidades, mas está concedendo férias coletivas a "algumas turmas" em "algumas usinas".

Nos Estados Unidos, a produção das usinas de aços especiais e da unidade de perfis estruturais para a indústria e construção não residencial no Texas está "próxima da plena capacidade", disse Dias. Na Europa a recuperação do setor automotivo contribui para os negócios em aços especiais, assim como na Índia, onde depois da recente troca de governo já se fala em crescimento de 6% para o PIB neste ano, ante a expectativa anterior de 4%, acrescentou Johannpeter.

No segundo trimestre, o lucro líquido consolidado da Gerdau recuou 2% ante igual período de 2013, para R$ 393 milhões, e o resultado atribuído aos controladores caiu 8,7%, para R$ 356,5 milhões.




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