Hindalco investe em fábrica em MG para disputar mercado de químicos

Indiana já investiu R$ 30 milhões e prevê R$ 120 milhões em três anos, afirma Eli Murilo Araújo, diretor executivo.

Em uma unidade comprada da Novelis, em Ouro Preto (MG), a indiana Hindalco começou no ano passado a montar uma indústria química para produzir hidratos e aluminas especiais. Com investimento previsto em R$ 120 milhões em até três anos, a empresa tem o objetivo de produzir 145 mil toneladas anuais, volume significativo para brigar em um mercado em que atuam hoje empresas como Alcoa e Votorantim Metais.

A Hindalco já opera indiretamente no Brasil com a Novelis, sua subsidiária em laminação de alumínio. Com a fábrica mineira, dá início as suas operações no país com a marca "mãe", por meio de sua controlada criada para o novo projeto, a Hindalco Brasil.

A unidade em Ouro Preto já produziu alumina no passado e estava fechada desde 2009. Foi comprada em 2013, após dois anos de estudos do grupo indiano. "Começamos a ver que a fábrica tem um tamanho adequado para produzirmos aluminas especiais", diz Eli Murilo Araújo, diretor executivo da Hindalco Brasil. Em agosto do ano passado, a Hindalco começou a ligar as máquinas e, até agora, investiu R$ 30 milhões em adaptações, com ajustes de processos para dar ritmo à produção.


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O objetivo da Hindalco é produzir hidratos e aluminas especiais tanto para o mercado local como para exportação. Em até três anos, a empresa planeja finalizar os investimentos previstos no desenvolvimento dos produtos e levar a fábrica a sua plena capacidade. "O ritmo de aceleração da produção vai depender tanto da demanda do mercado como dos projetos que a Hindalco pretende desenvolver", diz Araújo.

Os hidratos são comprados principalmente por empresas de tratamento de água. Já as aluminas especiais - derivadas dos hidratos - são mais vendidas para as indústrias de refratários, catalisadores, isoladores e automotiva (para velas de veículos).

Apesar de também serem obtidos a partir da bauxita, os hidratos e aluminas especiais são diferentes da alumina metalúrgica, que origina o alumínio. A produção não é eletrointensiva e é feita exclusivamente por processos químicos. Segundo Araújo, a bauxita utilizada pela Hindalco é trazida de uma mina que está a 120 km de Ouro Preto, em Santa Bárbara (MG), cujos direitos minerários são da empresa indiana.

Neste ano, a Hindalco já poderá produzir 90 mil toneladas, segundo Araújo, que devem ser vendidas principalmente ao mercado interno. Quando chegar às 145 mil toneladas ao ano, o plano é destinar 70%, cerca de 100 mil toneladas, para os clientes locais e o restante para países latino-americanos, como Chile e Uruguai, e de outras regiões.

Com esses volumes, a empresa deve provocar um grande impacto no mercado local. No ano passado, a produção brasileira de alumina para uso não metalúrgico somou 187,9 mil toneladas, segundo dados da Associação Brasileira do Alumínio (Abal). O volume é pouco menos do dobro do volume que a Hindalco quer vender no Brasil. Além de Alcoa e Votorantim Metais, que têm produção local, empresas, como Eti, Alteo e Almatis importam o produto no país.

Controlada pelo conglomerado Aditya Birla, sediado em Mumbai, a Hindalco também produz aluminas especiais na Índia.




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