Audi desafia Mercedes com carros de luxo a baixo custo

Nos seus três primeiros meses no mercado, o Audi A3 superou em vendas o equivalente da Mercedes a uma razão de quase dois para um.

A Audi está se aproximando da Mercedes-Benz, marca da Daimler AG, no pequeno, porém crucial, mercado de carros de alto padrão com preços a partir de US$ 30.000.

Nos seus três primeiros meses no mercado, o Audi A3 superou em vendas o equivalente cupê de entrada da Mercedes a uma razão de quase dois para um, segundo a empresa de pesquisas Autodata Corp.

As vendas do CLA caíram em sete dos últimos oito meses, uma virada em relação ao ano passado, quando o quatro portas esportivo ajudou a Mercedes-Benz a passar a BMW e tornar-se o mais vendido nos EUA e o novo modelo de maior sucesso da Mercedes em duas décadas.

“CLA foi o único de seu tipo à disposição por um tempo e agora há algo com que compará-lo”, disse Michelle Krebs, analista do AutoTrader.com, em entrevista. “Se você ler alguns dos testes comparativos, você vai ver que o A3 acaba vencendo por uma grande margem”.

Embora os modelos de entrada representem apenas uma fração das vendas globais de marcas de luxo de alto padrão, o mercado é importante.

As fabricantes de carros usam veículos com preços menores para mirar os jovens, motoristas em ascensão econômica e social que podem se tornar fiéis à marca pela vida inteira, eventualmente investindo somas de seis dígitos por um sedã top de linha de margens mais altas para a fabricante.

“A ideia é atraí-los quando sua preferência de marca está sendo formada”, disse Jesse Toprak, analista do Cars.com. “E então, esperançosamente, mantê-los enquanto eles ganham mais dinheiro e sobem de categoria”.

Buscar motoristas mais jovens à procura de carros mais baratos é arriscado. O mercado está lotado e as fabricantes correm o risco de diminuir uma marca de alto padrão ao encorajar comparações com modelos populares.

Um comprador disposto a gastar US$ 30.000 em um carro pode agora adicionar um Mercedes e um Audi a uma lista de compras que inclui o Ford Fusion, o Chevrolet Malibu e o Honda Accord.


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Outro desafio é criar distinções mensuráveis entre o número crescente de segmentos de mercado, disse Kevin Tynan, analista da Bloomberg Industries, em uma entrevista. Um carro de entrada com todos os recursos pode ser pouco diferente de um carro em um degrau acima de categoria, o que gera um risco de canibalização.

Linha tênue

Optar por uma categoria mais baixa “exige que as empresas preencham com derivados menores e menos caros dos que costumavam ser os modelos de entrada”, disse Tynan. “O problema é que elas precisam criar uma distância suficiente entre o velho e o novo e a linha entre o menos caro e o barato não é muito distante”.

A Audi tomou um caminho diferente da Mercedes para o mercado de entrada, equipando seu modelo A3 com teto solar e bancos de couro. O CLA vem padronizado com um teto sólido e assentos de couro falso.

O A3 ganhou elogios e foi comparado favoravelmente com o CLA. A revista Car and Driver chamou o A3 de um “sedã esportivo esplêndido” que por acaso é “pequeno e acessível” e disse que “a Mercedes-Benz pode ter saído na frente da Audi com um sedã compacto, mas a Audi pode ter dado o nocaute”.

A Consumer Reports elogiou o visual do CLA, mas disse que a viagem foi dura, difícil, barulhenta e que ficou “aquém de um Mercedes típico”.

Esse é o tipo de crítica que as fabricantes de carros de luxo esperavam evitar quando lançaram alguns dos modelos mais acessíveis de suas histórias.

Pessoas da geração Y que responderam a uma pesquisa do site Autotrader.com listaram a Audi como a marca que “reflete mais sua personalidade”, seguida de Honda, Mercedes, Toyota e BMW, disse Krebs.

“O que está claro quando falamos da geração Y é que eles são favoráveis às marcas de luxo, e sempre mencionam a Audi como a marca à qual eles aspiram”, disse ela.




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