Nova política industrial incentivará múltis brasileiras

Fonte: IBS/Jornal do Commercio - 28/06/07

O governo quer incentivar a formação de multinacionais brasileiras e a modernização das fábricas estrangeiras no País. As medidas fazem parte da nova política industrial que deve ser divulgada em até 90 dias. Para fortalecer o setor, será oferecido crédito com condições especiais, e a equipe econômica acena com nova desoneração tributária e mudança nas tarifas de importação.

A elaboração das medidas foi anunciada ontem, em audiência pública na Câmara dos Deputados, pelo ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento) e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. As medidas serão apresentadas à Câmara de Política Econômica, órgão de assessoramento da Presidência da República.

A internacionalização das empresas brasileiras vai ser feita em setores em que o País é competitivo. O ministro citou mineração, siderurgia e suco de laranja como alvos potenciais. "Vamos localizar grupos que podem ser fortalecidos para competir internacionalmente", disse Jorge. A ajuda pode ser feita com financiamento para aquisição ou reestruturação de companhias, como na recente compra da americana Swift pelo frigorífico goiano Friboi.

Outra frente é a modernização das fábricas. A medida, segundo Luciano Coutinho, vai favorecer principalmente as subsidiárias de multinacionais no Brasil. "Queremos reforçar o papel dessas unidades para que elas possam disputar a fabricação de novos produtos." A medida beneficia diretamente o setor automotivo, que teme a concorrência de países como China, Índia e Rússia.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), representante das montadoras, elogiou as diretrizes apresentadas. Para os representantes da entidade, as medidas podem acelerar os investimentos e reduzir os custos de produção. Vale lembrar que Miguel Jorge é ligado ao setor. O ministro já ocupou a vice-presidência da Volkswagen e da Autolatina - antiga união entre Ford e Volks no Brasil.

Mão-de-Obra extensiva. A política industrial também vai incentivar a inovação em setores que têm uso de mão-de-obra extensiva, como calçados e confecções. Coutinho defende que esses setores têm de vender produtos diferentes dos feitos na China ou Índia. "Temos que inovar para fugir da competição de preços baixos", afirmou. As diretrizes também mantêm o desejo do governo de atrair a indústria de forte inovação, como microeletrônica, comunicação e informática.

Benefícios setoriais. As novas diretrizes foram criticadas pela analista Ana Carla Abrão, da Tendências Consultoria. "Escolher setores é ruim porque o benefício vem para quem chora mais", disse. Ela defende a desoneração global. "Isso beneficiaria toda a economia sem que o governo tivesse que escolher ganhadores e perdedores."

A nova política industrial surge apenas três anos após o então ministro Luiz Fernando Furlan anunciar as diretrizes vigentes. O plano de 2004 tinha quatro prioridades: bens de capital (máquinas), semicondutores, programas de computador e produtos farmacêuticos. "Com exceção do primeiro segmento, os outros avançaram muito pouco. Essa política (de benefício setorial) é muito restritiva", disse o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Edgard Pereira.
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