Setor automotivo não aguarda novos incentivos e diz que IPI perdeu apelo

Fenabrave defende mudança na legislação para melhorar oferta de crédito.


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A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) não aguarda nenhum tipo de novo incentivo ou desoneração por parte do governo para estimular a venda de veículos e considera como já consumado o retorno das alíquotas “cheias” do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a partir de julho.

“Não temos nenhuma expectativa de que tenhamos uma medida de desoneração ou incentivo para o setor”, afirmou o presidente da Fenabrave, Flávio Meneghetti, destacando que o governo foi bem enfático ao explicar para os representantes do setor que não há espaço fiscal neste momento.

“A gente sente que o governo não tem condições neste momento de abrir a sua caixa de ferramentas e tirar dali alguma solução mágica”, disse Meneghetti.

Para ele, a volta da alíquota cheia de IPI deverá ter pouco impacto na antecipação de compras para junho. “Parece que o brasileiro não está dando muita importância ao apelo do IPI”, avaliou.

A federação projeta queda de 3,6% nas vendas de veículos neste ano, na comparação com 2013.


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“Não só estamos andando de lado, como estamos andando para trás, voltando praticamente aos patamares de 2011”, destacou o presidente da Fenabrave.

Diante do cenário de queda da demanda e da confiança do consumidor e de desaquecimento da economia e de eleição presidencial, o setor automotivo acredita que o mercado de veículos continuará fraco até 2016. “Vai ser um período bastante longo de vacas magras”, afirmou o executivo.

A Fenabrave defende, entretanto, mudanças na legislação para dar mais garantias a quem oferece linhas de crédito para o financiamento de veículos.

“Os bancos simplesmente perderam o apetite para assumir riscos”, afirmou Meneghetti.

Segundo ele, os instrumentos de retomada do bem em caso de calote não são efetivos. “Isso faz com que os bancos prefiram colocar dinheiro em carteiras em que sintam mais segurança.

"Por uma questão de legislação ultrapassada, de 3 a 4% de maus pagadores estão penalizando todo o mercado”, completou.




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